sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Chapter Two

Era o quarto dia de Demetria na Itália e ela já estava entediada. Nicholas andava muito ocupado junto com seu irmão tratando de assuntos do trabalho e não havia muito que ela pudesse fazer sozinha em Vicenza. 
Sua mãe e Denise passavam a maior parte do dia conversando sobre assuntos que não eram de seu interesse, ou então discutindo como poderia ser o casamento. Demetria apenas sorria de vez em quando e fingia estar interessada.
Mais enquanto conversava rapidamente com o noivo, ela finalmente descobrira algo que poderia fazer. 

_Tem certeza que não quer que eu vá com você?_ Nicholas perguntou pela quarta vez.

_Tenho querido_ ela afirmou_ esta muito ocupado com seus problemas, eu vou ficar bem.

_Tudo bem_ deu-se por vencido_ fale com Christian, ele vai te ajudar. 

Assim, ela se despediu do novo com um rápido selinho e caminhara animada em direção aos estábulos. Se havia uma coisa que ela gostava de fazer era cavalgar, se sentia incrivelmente livre quando o fazia... Mais infelizmente não tinha muitas oportunidades na Inglaterra, agora porém, o que não lhe faltava era tempo.

_Tenho o cavalo perfeito para a senhorita_ Christian lhe assegurou com um sorriso amigável. 
Ele a acompanhou pelo lugar até onde o animal estava.

_Esse é Spirit_ ele dissera.

_Spirit?_ ela o olhou de lado achando o nome interessante. 

O cavalo... Spirit, era um animal incrivelmente lindo, grande, forte e totalmente branco... Como a neve. Demetria se vira encantada com tamanha beleza. 

_O senhor Nicholas deu esse nome a ele quando criança_ o homem explicou_ disse que era por ele ser branco, como um espírito, além de ser bem ágil.

_Interessante_ ela sorriu, era bem típico de Nicholas, sempre criativo_ e ele é manso?

_Ah sim_ garantiu_ não há porque se preocupar.

_Ótimo, pode selá-lo pra mim?_ pediu.

_Com prazer senhorita.

_Grazie Christian, volto em alguns minutos. 

Enquanto Christian cuidava do cavalo, Demetria voltou pra dentro da mansão pretendendo por uma roupa mais adequada pra cavalgar. Já começava a vestir uma calça jeans quando sua mãe de repente entrara no quarto.

_Onde pensa que vai vestida desse jeito?_ ela questionou.

_Cavalgar_ respondeu pacientemente.

_Com essa roupa?_ ela riu_ nem pensar querida... Trate de por um vestido.

_O que?_ encarou com a mãe com indignação_ não posso cavalgar de vestido. 

_Mais é claro que pode_ garantiu_ damas como nós, não andam por ai vestidas em calças jeans, não estamos mais na Inglaterra... Temos que causar boa impressão e aqui as damas só usam vestido, até pra cavalgar. 

_Mãe_ ela protestou_ a senhora não pode estar falando sério.

_Eu pareço estar brincando?_ questionou séria_ se quiser air tem que ser do meu jeito. Não podemos desagradar a senhora Hawkins querida, esse casamento é muito importante.

_Esta enganada se pensa que vou me casar pelo dinheiro_ disse agora claramente irritada.

_Você não quer realmente ter essa discussão não é Demetria?

_Eu acho que não_ respondeu secamente.

_Então pare de reclamar e faça o que mandei_ ordenou_ agora. 

_Sim senhora_ forçou um sorriso. 

Mesmo contra a vontade Demetria pusera um vestido, era de um azul claro, frente única, um discreto decote, na altura dos joelhos. Sentia-se ridícula por concordar em cavalgar daquele jeito, mais não queria discutir com a mãe, ela sempre saia perdendo. E pra completar o visual, sua mãe ainda lhe obrigara a por um chapéu que combinava com o vestido, daqueles que só s viam em filmes antigos. 

_Estou ridícula_ resmungou encarando o espelho.

Demetria caminhou de volta aos estábulos... Christian já lhe esperava lá, um sorriso acolhedor, o cavalo pronto pra montaria.
Ele lhe ajudara a montar o animal e então lhe entregara as rédeas. 

_Senhorita Lovato_ ele disse com preocupação_ não lhe aconselho a cavalgar desse jeito, pode ser perigoso.

Demetria estava sentada de lado no cavalo, como uma dama deveria fazer.

_Non ti preoccupare Christian_ ela sorriu_ obrigada pela ajuda. 

Assim ela começou a se afastar lentamente, foi só quando estava fora de vista que se ajeitou no cavalo, levantando um pouco o vestido e pondo uma perna de cada lado como deveria ser. Então ela começou a cavalgar a toda velocidade pra fora da mansão Hawkins, em direção a floresta, quanto mais longe estivesse daquela casa melhor. Vinha se sentindo sufocada nos últimos dias e agora poderia finalmente aproveitar aquela incrível sensação de liberdade. 
Enquanto cavalgava, Demetria se distraíra com a beleza da floresta, era um pouco sombria, mais ainda sim bonita, ela não tinha muito contato com a natureza na Inglaterra. 
Demetria olhava para o lado quando de repente seu cavalo ficou agitado, descontrolado... Ela tentou pará-lo, segurá-lo no lugar, fazê-lo ficar quieto, mais ele se equilibrou apenas nas patas traseiras e ela não pode se segurar, caindo no chão. 
O cavalo continuou descontrolado e já ia pra cima dela, Demetria fechou os olhos assustada, sufocando um grito de terror, esperou sentir a dor, mais nada aconteceu. Ela abriu os olhos e então viu que não estava só... Havia um homem ali, segurando o cavalo pelas rédeas, tentando acalmá-lo.

_Oh, calma_ ele dizia_ eu não vou te machucar.

O animal foi se acalmando aos poucos enquanto o rapaz lhe dizia coisas e o acariciava.

_Questo_ o rapaz sorriu para o animal_ bravo ragazzo.

Demetria permanecia sentada no chão, ainda assustada e um pouco atordoada, até que o rapaz largara o cavalo e caminhara até ela.
 

_Tutto bene?_ ele perguntou lhe estendendo a mão.

_Sí_ ela segurou a mão dele e se levantou_ não foi nada de mais, ele só deve ter se assustado com alguma coisa.

O rapaz sorriu levemente, isso acontecia com freqüência, os animais não ficavam muito a vontade em sua presença.
 

_Obrigada pela ajuda_ ela agradeceu.
 

Demetria ergueu os olhos pra fitar o rapaz e acabou perdendo a concentração. Ele era incrivelmente bonito, devia ter vinte e poucos anos, a pele era morena, os cabelos negros, levemente cacheados estavam bagunçados de um jeito sexy e ele tinha um olhar profundo... Os olhos castanho claro eram encantadores, sem contar o sorriso deslumbrante.
Ele estava todo de preto, a calça escura era um pouco folgada e a blusa sem mangas deixava a mostra os braços musculosos.

_Tem certeza que esta bem?_ ele a fitou cautelosamente_ parece um pouco... Confusa. 

_Não, eu... Estou bem_ ela desviou o olhar envergonhada.

O rapaz riu discretamente da aparente confusão dela.
 
Ela ergueu novamente os olhos um pouco zangada enquanto limpava a grama do vestido_ Posso saber qual a graça, senhor... _ ela se interrompeu.

_Joseph_ ele sorriu_ Joseph Adam Jonas.

_Senhor Jonas_ ela disse_ posso saber do que esta rindo?

_Não estou rindo de você_ ele garantiu.

_Claro que não_ forçou um sorriso.
 

_Já imaginou que... Cavalgar usando vestido e sandálias fica mais difícil?_ ele perguntou de forma divertida, os olhos a analisando de cima abaixo.
 

_Eu sei muito bem o que é melhor pra mim, Grazie_ respondeu grosseiramente.
 

Joseph continuou a rir enquanto a jovem caminhava irritada em direção ao seu cavalo, o animal continuava um pouco agitado.
 

_Você não é daqui é?_ ele perguntou.

_Não, sou da Inglaterra, cheguei a alguns dias_ ela respondeu.

_O que uma moça da Inglaterra faz em uma cidade como Vicenza?

_Acho que isso não é da sua conta_ respondeu o mais educadamente que pode, mais ainda estava zangada e envergonhada.
 

_E vejo que causei boa impressão_ ele zombou ainda divertido_ não é, senhorita...

_Demetria... Demetria Devonne Lovato.
 

_Bonito nome_ ele elogiou.

O rapaz caminhou até seu próprio cavalo e montou nele. Demetria ficou impressionada, o animal era negro como a escuridão, o oposto de seu cavalo e montado nele, o rapaz parecia um personagem saído de um filme. 

_Bela cavalo_ ela comentou enquanto montava em seu próprio cavalo.

_Grazie_ ele sorriu_ é il Tuono.
 

_Trovão?_ ergueu a sobrancelha, esperando que sua tradução estivesse correta, seu italiano não era dos melhores.
 

Ele sorriu de lado_ coisa de criança.
 

Os dois se fitaram em silencio, sorrindo um para o outro. O sorriso de Demetria era tímido e envergonhado e o de Joseph era um tanto presunçoso... Tinha algo de muito encantador naquela jovem, ela era incrivelmente linda, embora tenha escolhido um péssimo lugar pra viver. Vicenza não era segura, muito menos pra alguém tão delicada como ela.
 

_Espero que goste de Vicenza senhorita Lovato_ ele disse.

_Eu duvido muito_ revirou os olhos_ não acontece nada nesta cidade.
 

Ele riu de novo, mais seu rosto estava sério_ se estava procurando emoção veio ao lugar certo.

_O que quer dizer com isso?_ ela perguntou intrigada.

Ele não respondeu a pergunta, mais seu cavalo se agitou de repente, como se estivesse assustado com algo. Joseph segurou as rédeas com mais força pra manter o equilíbrio e controlar o animal.
O sorriso no rosto dele havia desaparecido, mais ele continuava encantador e com um ar misterioso.

_Tome mais cuidado quando for cavalgar senhorita Lovato_ ele pediu com ar de mistério_ e se eu fosse você, não sairia sozinha à noite... Nunca se sabe o que pode acontecer.

O cavalo se sobressaltou novamente, e antes que Demetria pudesse dizer alguma coisa, Joseph fora embora, cavalgando a toda velocidade e sumindo do mesmo jeito que aparecera, do nada... Como um fantasma.

_Foi um prazer te conhecer também_ ela resmungou sozinha depois que ele desaparecera.
 

Spirit, que antes estivera agitado, agora estava novamente calmo e manso. E Demetria ficara imaginando o que Joseph quisera dizer com aquelas coisas, ele era um rapaz muito bonito, porém um tanto estranho.
 
Demetria sacudiu a cabeça pra espantar os pensamentos, se ajeitou no cavalo e voltou para mansão Hawkins.
Gostaria de poder passar o dia fora, mais algo nas palavras de Joseph tornara a ideia de cavalgar a noite um pouco assustadora.
Então ela decidira que só o que precisava agora era de um bom descanso e mais nada.





Continua...


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terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Chapter One (Capítulo dedicado a Samantha)

Vicenza, Itália – Dias Atuais

As duas senhoras caminhavam pela casa conversando animadamente, a jovem seguia atrás, quieta, os olhos vigilantes analisando cada centímetro do lugar.
A mansão da família Hawkins era enorme, muitos corredores e quartos, cada centímetro perfeitamente arrumado e decorado ao gosto da senhora Hawkins, que diga-se de passagem era um tanto excêntrico. A mansão era bonita, não se podia negar, mais tinha um ar um tanto sombrio e monótono... Demetria sentia-se um tanto perturbada conforme caminhava pelos corredores, os quadros nas paredes pareciam encará-la.
 

_Denise, sua casa é incrível_ Daiana, a mãe de Demetria elogiara, estava totalmente deslumbrada.

_Obrigada_ sorriu satisfeita_ cuidei pessoalmente de cada detalhe da decoração.

_Você tem muito bom gosto_ afirmou.

Um gosto muito estranho, isso sim, pensara Demetria soltando um leve suspiro.

_Venham comigo_ Denise pediu_ vou lhes mostrar seus aposentos.
 

As três mulheres caminharam por mais alguns minutos até finalmente chegarem a um grande corredor com várias portas. Denise parou diante de uma delas e a abriu, pedindo que Demetria entrasse.
 

_Este será seu novo quarto querida, espero que goste.

_É lindo_ ela abriu seu melhor sorriso.

_Suas coisas já estão todas ai_ ela disse_ Nicholas se juntará a você daqui a pouco.

_Onde ele esta?_ Daiana perguntou_ gostaria de dar um abraço nele.

_Ele queria estar aqui pra recebê-las, mais insisti que fosse cavalgar com o irmão_ ela explicou_ o coitado estava muito ansioso.
 

Demetria também estava ansiosa pra vê-lo, Nicholas seria a única coisa conhecida e segura naquele lugar estranho e desconhecido.

_Fique a vontade querida_ sorriu acolhedoramente_ vou mostrar a sua mãe o quarto dela.

_Tudo bem_ ela concordou.

_Você vai adorar Vicenza Demetria_ ela garantiu_ é uma cidade calma, tranqüila, assim como você.
 

Com um sorriso, as duas mulheres deixaram o quarto.
Assim que a porta se fechou, Demetria se deixou cair sobre a cama, os olhos entristecidos analisando seu novo lar. Apesar de todo aquele luxo, Demetria preferia mil vezes sua pequena casa na Inglaterra...Sentiria falta da cidade grande, da vida agitada, de seus amigos e tudo por um capricho de sua mãe.
 
Ela passara um bom tempo ali sentada, fitando o vazio até eu finalmente a porta do quarto se abrira... Era Nicholas.
 

_Sentiu minha falta?_ ele perguntou abrindo os braços.

_Muita_ ela correu pra abraçá-lo, um sorriso sincero iluminando seu rosto delicado_ que bom que chegou.

_Desculpe-me pela demora_ ele pediu beijando os cabelos dela.
 

Nicholas era noivo de Demetria a mais ou menos um ano, os dois se conheceram na Inglaterra há dois anos, onde Nicholas fazia intercâmbio e então começaram a namorar.
 
Assim que soubera que a família de Nicholas era rica, a mãe de Demetria tratara de incentivar o casamento e agora as duas estavam ali... Na Itália, para acertar os detalhes do casamento dos dois. Mais não era o que Demetria queria, ela não sentia pronta pra dar um passo tão importante em sua vida, e embora gostasse muito de Nicholas não estava certa de que deveria mesmo se casar com ele. O amor era um assunto muito delicado pra se tratar tão imprudentemente.
 

_E então? O que esta achando de sua nova casa?_ ele perguntou com curiosidade.

_Sua casa é incrível_ respondeu simplesmente.
 

_Você não me parece muito animada_ comentou.
 

_Você me conhece_ deu de ombros_ essa vidinha pacata do campo não é muito meu estilo.

_Claro_ ele concordou_ e o gosto de minha mãe por antiguidades também não é muito acolhedor. Aqueles quadros que ela pos no corredor me deixam nervoso... Parece que ficam me encarando.

Demetria riu se sentindo mais leve, Nicholas tinha esse dom, de deixá-la confortável onde quer que fosse.
 

_Dê uma chance a Vicenza_ ele disse acariciando o rosto dela_ tenho certeza que vai gostar daqui.

_Eu posso tentar_ ela sorriu de lado_ mais não prometo nada.
 

Demetria tentaria se adequar a sua nova realidade, mais duvidava verdadeiramente que encontraria naquele lugar algo que lhe agradasse, um verdadeiro motivo pra ficar. Se a presença de Nicholas não era suficiente pra animá-la, duvidava que qualquer outra coisa pudesse.
 

_Porque não deixa pra arrumar suas coisas depois?_ ele sugeriu segurando a mão dela_ vem comigo.

_Aonde vamos?_ ela perguntou curiosa.

_Vou lhe mostrar o resto da casa, e o lado de fora que não foi atacado pelo gosto perturbador da minha mãe_ ele brincou_ vou te mostrar a cidade também.

_O gosto de sua mãe não é tão ruim.

_Não_ ele zombou_ Só parece que moramos em uma casa mal assombrada.
 

Nicholas lhe roubou um rápido beijo e então começou a puxá-la pra fora do quarto, sabia muito bem o que fazer pra alegrar a noiva. Assim, os dois caminharam de mãos dadas em direção à saída da casa, mais foram parados antes de poderem alcançar a porta... Demetria esperava caminhar um pouco ao ar livre, mais pelo jeito não seria tão fácil.
 

_Onde os pombinhos estão indo em?_ Daiana perguntou.

_Eu ia levar Demi pra conhecer a cidade_ Nicholas disse sorrindo docemente para noiva.
 

_Não, não_ Denise interveio_ nem terminei de mostrar a casa a ela e ainda temos muito que conversar, precisamos nos conhecer melhor.
 

_Mãe, vocês podem fazer isso depois_ ele disse.

_Porque esperar?_ ela questionou.

_Porque quero passar um tempo com minha noiva?_ ele disse como se aquilo fosse óbvio. 

_Eles querem passar um tempo a sós_ Daiana sussurrou no ouvido de Denise, mais não impediu que os dois ouvissem.
 

Demetria e Nicholas suspiraram, suas mães não conseguiam compreender o conceito de privacidade, era muito difícil pra elas.
 

_Tudo bem, podem ir_ ela desistiu_ posso muito bem conhecer a futura esposa do meu filho depois. Porque a pressa não é verdade?
_Até mais.
 

Então Nicholas começou a puxar Demetria dali, antes que as duas mulheres tivesse, a chance de dizer mais alguma coisa.
Os dois sorriam um para o outro enquanto andavam de mãos dadas pelo enorme jardim da mansão Hawkins, era o tipo de ambiente que Demetria aprovava... Flores, pássaros, só a beleza na natureza e mais nada.
 

_Sabe_ Nicholas comentou enquanto caminhavam_ senti falta daqui nesse tempo que passei na Inglaterra. Sei que aqui é um lugar um pouco estranho mais... Vicenza tem seus encantos.
 

_Não precisa passar o tempo todo elogiando a cidade querido_ ela sorriu_ sei que é encantadora, só não me acostumei ainda.

_Mais vai se acostumar, aqui é um ótimo lugar_ garantiu_ passei muitas coisas aqui na minha infância.

_Você devia ser uma criança terrível_ ela brincou.

_Oh, eu era_ ele concordou_ eu deixava minha mãe de cabelo em pé... Lembro que ela me contava histórias de terror antes de eu dormir na tentativa de me assustar.

_Aquela casa por si só já é muito assustadora.

_Verdade, mais não adiantava de muita coisa, eu saia da minha cama no meio da noite procurando os monstros dos quais ela me falava_ ele fez uma careta_ infelizmente nunca achei nenhum.

_Gostaria de ter encontrado um?_ ela perguntou rindo.

_Claro_ ele afirmou com entusiasmo_ imagine só_ fez um gesto no ar com as mãos_ Nicholas Hawkins, o caçador de monstros.

Demetria não se aguentou e caiu na gargalhada enquanto observava o rosto do noivo, ele parecia realmente empolgado com a ideia de caçar de monstros. Nicholas tinha esse jeito divertido, infantil e fantasioso às vezes... Para ele, era um jeito melhor de se levar à vida.

_Do que você esta rindo?_ ele fingiu estar zangado_ é o meu sonho de criança.

_Oh claro, é uma ótima profissão_ disse tentando conter os risos.

_Não importa_ ela sacudiu a cabeça, se virando pra olhá-lo, caminhando de costas_ eu não gosto de monstros.

_E do que você gosta senhorita?_ ele perguntou em um tom formal, fazendo uma careta engraçada.

Ela ficou em silencio um instante, como se ponderasse aquela pergunta enquanto lhe sorria maliciosamente.

_De você_ ela respondeu timidamente.

O sorriso do rapaz aumentou ainda mais, ele deu um passo a frente esperando alcançá-la, mais a jovem começou a correr pra longe dele enquanto ria abertamente. Entrando na brincadeira, Nicholas se pos a correr atrás dela enquanto riam feito duas crianças.
Aquele tinha sido o único momento de paz que Demetria tivera desde que soubera que teria de se mudar, e esperava que o resto dos dias também pudessem ser assim.
Quando Nicholas finalmente a alcançara, a puxara pelo braço, fazendo com que a jovem se desequilibrasse e caísse sobre a grama verde. Ele caíra sobre ela, se escorando nos braços pra que o peso de seu corpo não a machucasse.
Ele fitou carinhosamente os olhos castanhos dela.

_Você gosta de mim?_ ele perguntou inocentemente, como se não soubesse da resposta.

_Não_ ela sacudiu a cabeça com um sorriso zombeteiro.

_Mentirosa_ ele acusou, erguendo uma das mãos pra lhe fazer cócegas.

_Pare... Pare_ ela pedia rindo descontroladamente enquanto tentava se desvencilhar dele.

_Só se você confessar_ ele a desafiou_ diga que gosta de mim.

_Não_ ela gritou, já desciam algumas lágrimas de seus olhos.

_Vamos_ ele insistiu_ confesse... Diga pra mim.

_Eu gosto de você_ ela gritou ainda entre risos_ eu gosto ta bom?

_Ótimo_ ele sorriu satisfeito.

Ele parou com as cócegas, mais permaneceu deitado sobre ela, observando encantado como ela era linda... Os olhos estava fechados, o peito subia e descia rapidamente enquanto ela tentava controlar a respiração. Os cabelos negros e lisos, e o delicado tecido do vestido que ela usava, estavam jogados sobre a grama... Balançando com vento.
 
Era a coisa mais linda que ele já vira... Uma visão do paraíso.
 

_Você é um homem mau_ ela acusou.

_E você é linda_ ele sussurrou passando os dedos levemente pelo rosto dela pra limpar as lágrimas que desceram... Ela abriu devagar os olhos pra fitá-lo, cheio de emoções contraditórias_ estou feliz que esteja aqui. E prometo que vou te fazer muito feliz.
 

E ela não duvidava que ele faria se aquele casamento realmente acontecesse. Nicholas era um perfeito cavalheiro, educado, carinhoso, atencioso, divertido... Além de muito bonito é claro.
 
Ela sorriu docemente pra ele, um sorriso que sempre lhe tirava o fôlego, e ergueu uma das mãos, a passando pelos cabelos cacheados dele, e ele se inclinou lentamente pra beijá-la... Um beijo calmo, doce e apaixonado.


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segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Prólogo

Vicenza, Itália – Dez Anos Atrás


A noite caíra assustadora... O céu estava nublado, encoberto pelas nuvens. O vento soprava do lado de fora e a lua cheia brilhava no céu encoberto. Dentro da casa, o homem arrastava seu filho pelo braço pelos corredores, as luzes estavam baixas e o lugar silencioso, exceto pelo choro do menino que lutava pra se livrar das mãos do pai.

_Pai, por favor, não_ ele implorava com lágrimas nos olhos.

_Filho, sabe que não tenho escolha, estou fazendo isso pro seu bem_ o homem disse o segurando com mais força.

_Por favor pai, não me tranque de novo, não quero ficar sozinho_ o menino disse com desespero.

O homem parou de andar e se virou pra fitar o rosto do filho, tão delicado e tristonho, os olhos castanhos demonstravam claramente seu desespero, era de cortar o coração. O homem segurou o rosto do filho entre as mãos.

_Olhe pra mim_ ele ordenou_ você não quer machucar ninguém, quer?

_Não_ o menino  sacudiu a cabeça.

_Então fique quieto e venha comigo, já esta quase na hora.


O homem voltou a puxar o menino pelo braço, que não conseguia parar de chorar. Os dois desceram apressados um enorme lance de escadas e o homem soltou o filho por um instante pra destrancar a porta de ferro.
Ele arrastou o menino pra dentro do quarto escuro e o sentou no chão de pedra frio.

21 ago

_Fique quietinho ok?_ ele pediu_ vai acabar logo.

_Pai, por favor_ ele choramingou.

_Shh... Vai ficar tudo bem_ sorriu tentando encorajá-lo.

Ele pegou a corrente que estava no chão... Ela estava presa à parede de concreto e era feita de prata reforçada. Prendeu a primeira no braço esquerdo, depois no direito e em seguida nas duas pernas, mantendo o menino acorrentado a parede.
 

_Não me deixe aqui pai_ implorou_ não quero passar por aquilo de novo.

_Desculpe filho, mais eu preciso_ se levantou_ esta a hora... Volto amanhã quando tiver acabado.

_Não... Pai_ o menino se desmanchou em lágrimas.
 

Lhe partia o coração ter de deixar o filho daquele jeito, mais ele não tinha escolha. Assim, com pesar, ele saiu do quarto escuro, trancando a porta atrás de si e subindo novamente as escadas.
 

_No... Pai_ ele pode ouvir os gritos do filho atrás de si e suspirou_ PAI... POR FAVOR.
 

O homem se sentou no sofá, abaixando a cabeça e escondendo o rosto nas mãos, sem conseguir conter as lágrimas conforme os gritos do menino ficavam mais altos, desesperados e agonizantes. Ele gostaria de poder fazer algo pra ajudá-lo... Qualquer coisa para não ter de vê-lo sofrer, mais infelizmente não havia nada que pudesse fazer... Só esperar que acabasse.

_PAI_ o grito ecoou quebrando o silencio.
 

O homem ergueu lentamente os olhos pra fitar a lua cheia e brilhante no céu. Seu coração parou junto com os gritos do filho e só o que pode ouvir foi um uivo alto e aterrorizante.
A Fera estava de volta.


Continua...

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