sábado, 11 de maio de 2013

Capitulo 1

Um castelo. Foi à primeira coisa que passou pela mente de Alex quando saiu do carro e olhou para o que seria o “lugar simples” em que seu tio afirmara morar. Com um ar um tanto sombrio, surgindo misteriosamente da floresta, a mansão era exatamente o que ele imaginara dos castelos das histórias que sua mãe costumava lhe contar quando era criança. 
ㅤㅤㅤㅤPor um momento ele sorriu, lembrando-se de correr pela casa fingindo ser um príncipe que invadia o castelo, lutava com um poderoso dragão e resgatava a pobre princesa, que sua mãe costumava interpretar naquela brincadeira. Então o sorriso desapareceu quando ele lembrou o motivo de estar ali agora. Ele acordara num dia como outro qualquer e sua mãe havia sumido, ela foi embora sem avisar, deixando apenas um bilhete que não fazia sentido. “Um dia você entenderá tudo, me desculpe”. Era só isso que ela tinha pra dizer? Ele não se conformava com aquilo.
ㅤㅤㅤㅤAlex achava que devia ter percebido o que ela pretendia fazer, devia ter notado que ela estava estranha, devia ter impedido que ela fosse embora. Mas por mais que pensasse nisso, não conseguia imaginar um bom motivo para que ela tivesse simplesmente o abandonado dessa forma. O sumiço dela era muito estranho, assim como seu tio John, que surgira Deus sabe de onde para lhe buscar e cuidar dele agora que estava só. Alex tentava não se focar muito no pequeno detalhe de que nunca em seus dezessete anos de vida, sua mãe lhe contara que tinha um irmão mais velho.


ㅤMelissa Martin sempre fora uma mulher misteriosa e uma mãe super protetora era verdade, mas Alex nunca vira nada de errado nisso. Pelo menos não até agora.
ㅤㅤㅤㅤ__Venha Alex__ a voz de seu mais novo tio o chamando, o despertou dos devaneios__ vou lhe mostrar sua nova casa. Acho que você vai gostar daqui.
ㅤㅤㅤㅤEle duvidava muito que fosse gostar, mas sorriu mesmo assim. Estava evitando muita conversa com aquele homem que não conhecia, mas sabia absolutamente tudo sobre ele. Alex queria enchê-lo de perguntas, pois sabia lá no fundo que John tinha as respostas, mas também sentia que ele não responderia facilmente. E algo naquele homem o incomodava profundamente, o intimidava. Era muito parecido com sua mãe, tinha que admitir, os cabelos negros, os olhos azuis. A parte perturbadora eram as tatuagens que cobriam todo o seu braço esquerdo, extremamente musculoso, linhas entrelaçadas que não faziam sentido algum, mas que mesmo assim eram muito familiares, pois Alex já as tinha visto antes, nas costas da mãe.
ㅤㅤㅤㅤPor dentro, a mansão parecia ainda mais surreal, com uma decoração um tanto peculiar. Enquanto andava pelos corredores atrás do tio, Alex observava com curiosidade os quadros na parede. Rostos de homens e mulheres de idades diferentes, e cenas de lutas entre guerreiros e criaturas estranhas que era difícil de imaginar até em seus piores pesadelos. Havia espadas presas às paredes e símbolos estranhos por toda parte. Alex teve vontade de perguntar sobre tudo aquilo, mas algo no olhar cauteloso de John o manteve calado. A verdade era que ele não se importava com o gosto estranho daquele homem, ele só queria voltar para casa, queria entender o que estava acontecendo e se livrar daquela sensação de que tinha algo terrivelmente errado.


ㅤㅤㅤㅤ__Esse é o seu novo quarto__ John informou. Era um cômodo bem simples se comparado a todo o resto da casa__ o meu quarto fica logo ao lado, se precisar de alguma coisa. 
ㅤㅤㅤㅤ__Obrigado__ Alex murmurou, jogando a mala sobre a cama. Tudo que queria agora era ficar sozinho.
ㅤㅤㅤㅤ__Escuta Alex. Sei que está sendo difícil para você, que deve estar confuso. Mas você é um garoto forte, vai superar, tenho certeza de que Melissa teve um bom motivo para sumir e que ela te ama muito...
ㅤㅤㅤㅤ__Não fale comigo como se me conhecesse__ Alex o interrompeu irritado__ eu não conheço você, não interessa se diz que é irmão da minha mãe, eu não te conheço. Agradeço por me acolher, mas eu realmente não preciso da sua pena. 
ㅤㅤㅤㅤ__Você está certo, me desculpe__ John disse um pouco sem jeito__ não nos conhecemos. Eu só queria que soubesse que estou aqui pra te ajudar caso precise. Que pode contar comigo.
ㅤㅤㅤㅤ__Você sabe onde minha mãe está?__ Alex se virou para encará-lo, deixando que toda sua raiva e frustração transparecessem naquele olhar__ sabe para onde ela foi? Porque fugiu desse jeito?
ㅤㅤㅤㅤJohn exitou por um momento antes de sussurrar__ não, eu não sei. 
ㅤㅤㅤㅤ__Então não pode me ajudar.


ㅤㅤHouve um longo momento de silencio, enquanto os dois se encaravam desconfortáveis. Até que Alex desviou os olhos para o chão, sentindo que as lágrimas ameaçavam transbordar, lágrimas de tristeza, de raiva, de frustração. 
ㅤㅤㅤㅤ__Hm, eu... Eu tenho que resolver alguns assuntos__ John finalmente quebrou o silêncio__ posso demorar um pouco, mas pode ficar a vontade e me ligar no celular se precisar.
ㅤㅤㅤㅤ__Tudo bem__ ele concordou ainda encarando o chão__ obrigado.
ㅤㅤㅤㅤEntão John saiu do quarto sem dizer mais nenhuma palavra. Alex suspirou aliviado por estar finalmente sozinho, o que menos precisava agora era de olhares de pena. Sentou-se na cama, com os pensamentos bem distantes e quando tirou o celular do bolso viu que havia três chamadas perdidas. Por um momento teve esperança de que fosse a mãe, mas o sentimento logo desapareceu quando viu o nome na tela: Sara. Era sua namorada. Alex já não falava com ela há dois dias, sentia-se mal por ignorá-la, afinal além de sua mãe, Sara era a única pessoa no mundo que parecia compreendê-lo, a única com quem podia contar de verdade, mas não queria conversar, não queria ouvir as perguntas nem a preocupação em seu tom de voz. Ele só queria esquecer.



Manhattan – Nova Iorque, 1 ano atrás.


ㅤㅤㅤㅤEra uma segunda feira como outra qualquer. Alex havia recebido o resultado do teste de matemática e não fora nenhuma surpresa, tirara um A como sempre. Achava estranho como todos os alunos se preocuparam com aquela prova, até mesmo os nerds da turma, dizendo que seria a matéria mais difícil do ano. Alex tinha resolvido todas as dez enormes questões em menos de vinte minutos, e ele nem mesmo havia estudado ou tentado se preparar de alguma forma, tudo vinha muito naturalmente, era fácil demais e as pessoas o olhavam torto por isso. 
ㅤㅤㅤㅤTambém naquela mesma manhã, o professor de educação física havia feito uma espécie de torneio entre suas três turmas do ensino médio. A turma com mais pontos nas provas estaria livre da avaliação aquele bimestre. Alex ganhara todas as provas sem fazer esforço. Correra 300 metros, fizera abdominais e ganhara o jogo de basquete que tornou sua turma vitoriosa sem nem ao menos suar ou se cansar. Quanto mais se movia, mais energia tinha e as pessoas o olhavam torto por isso também.


ㅤSempre fora assim, desde que ele conseguia se lembrar, Alex não se encaixava em nenhum lugar. Era bonito, rápido e forte demais para ser um dos nerds, mas também era muito inteligente para ser popular. E tinha bom senso para não se misturar aos grupinhos alternativos da escola, que eram basicamente rebeldes e drogados. Ele não tinha amigos, mas não podia dizer que sentia falta disso. Alex passava seu tempo livre mergulhado em livros, perdido em um mundo de fantasia e histórias fantásticas. Ele sabia que era diferente dos outros, mas não se importava com isso. 
ㅤㅤㅤㅤNa hora do intervalo, Alex pegou seu lanche, pronto para sentar sozinho na mesa mais distante do refeitório, como fazia todos os dias, quando alguém esbarrou nele. A bandeja com seu lanche foi ao chão e ele sentiu um líquido gelado se espalhando por seu peito. 
ㅤㅤㅤㅤ__Oh meu Deus__ a voz veio alta, assustada e de repente havia um par de mãos tentando em vão limpar a enorme mancha em sua camisa__ eu sinto muito, eu tropecei sem querer e não consegui me segurar.
ㅤㅤㅤㅤ__Tudo bem__ Alex respondeu afastando as mãos de si e dando um passo pra trás__ isso acontece.
ㅤㅤㅤㅤ__Eu sou mesmo muito desastrada, me desculpe, eu sinto muito mesmo.


ㅤㅤAlex ergueu o olhar um instante para fitar o rosto da menina que não parava de pedir desculpas. Os olhos verdes estavam arregalados, ela parecia muito assustada, como se ele fosse saltar em cima dela e estapeá-la ou algo parecido. Os cabelos ruivos estavam presos num rabo de cavalo e ela vestia uma saia jeans e uma blusa de manga vermelha bem simples. Não parecia em nada com as garotas que freqüentavam Brierwood. 
ㅤㅤㅤㅤ__Desculpe__ ela disse mais uma vez. 
ㅤㅤㅤㅤ__Está tudo bem__ ele repetiu abrindo um meio sorriso para acalmá-la__ eu não gostava mesmo dessa camisa, estava procurando uma desculpa para me livrar dela, então tecnicamente, você me fez um favor. 
ㅤㅤㅤㅤEla de uma risadinha nervosa e se inclinou para recolher alguns livros que caíram no chão.
ㅤㅤㅤㅤ__Afoguei meu livro de matemática em refrigerante de uva __ ela fez uma careta mostrando o livro de matemática que estava ensopado__ belo jeito de começar em uma nova escola.
ㅤㅤㅤㅤ__Primeiro dia difícil?__ ele perguntou.
ㅤㅤㅤㅤ__Você não faz ideia. Eu pretendia passar despercebida, mas já é a segunda vez que tropeço nos meus próprios pés e agora estão todos me encarando.
ㅤㅤㅤㅤ__Segunda vez? __ Alex ergueu a sobrancelha curioso.
ㅤㅤㅤㅤ__Digamos que o refrigerante na sua camisa não foi o momento mais constrangedor de hoje__ ela corou, suas bochechas assumindo um tom vivo de vermelho.
ㅤㅤㅤㅤ__Você costuma ficar caindo em cima das pessoas por ai?
ㅤㅤㅤㅤ__Desastre é meu segundo nome__ ela deu de ombros__ o primeiro é Sara. 
ㅤㅤㅤㅤ__Eu sou o Alex__ ele estendeu a mão para cumprimentá-la.
ㅤㅤㅤㅤ__É um prazer Alex__ Sara sorriu, um sorriso tímido e meigo que o fez querer sorrir também.



Dias Atuais


ㅤㅤㅤㅤAlex não tinha muita certeza de como, mas sabia que estava sonhando. Aquilo só podia ser um sonho.
ㅤㅤㅤㅤEra fim de tarde, o sol começava a se esconder manchando o mundo com tons estranhos de laranja e vermelho. Ele estava em uma floresta, cambaleava em meio às árvores, se escorando aqui e ali para manter o equilíbrio, ele se sentia cansado, muito cansado, queria se abaixar ali e fechar os olhos... Dormir. Sim, dormir seria ótimo, mas ele não podia, tinha que encontrá-la. 
ㅤㅤㅤㅤAs roupas de Alex estavam sujas e rasgadas, um líquido vermelho se espalhava pelo tecido claro da camisa... Sangue, ele estava sangrando, era por isso que se sentia tão fraco. Suas mãos também estavam cobertas de sangue, manchando uma estranha tatuagem que subia por toda extensão de seu braço. Alex ergueu os olhos lentamente e á avistou um pouco mais a frente. Uma garota. Tinha a pele clara e cabelos loiros que lhe caiam sobre os ombros como cascatas douradas, os olhos tão azuis quanto o oceano brilhavam e os lábios eram vermelhos como sangue, assim como o vestido fino que cobria seu delicado corpo, que flutuava a sua volta com o vento... Tão linda. Ela estendeu a mão em sua direção, o convidando.


Alex reuniu toda sua força e cambaleou até ela, a jovem estendeu os braços e o segurou antes que ele fosse ao chão, sua pele quente e quando ela estendeu a mão para acariciar seu rosto ele viu as mesmas tatuagens, começando nas pontas dos finos dedos e se estendendo por todo o braço... O preto das marcas era um contraste gritante com o tom claro de sua pele. Ela sorriu.
ㅤㅤㅤㅤ__Está tudo bem agora__ ela sorriu e aquele sorriso aqueceu todo o seu coração.
ㅤㅤㅤㅤ__Eu consegui__ ele conseguiu sussurrar em meio à névoa que encobria sua mente__ acabou.
ㅤㅤㅤㅤ__Sim... Acabou__ ela concordou.
ㅤㅤㅤㅤLentamente ela aproximou seu rosto do dele, e quando os lábios se encontraram no mais delicado toque, todo o mundo girou e escureceu. 
ㅤㅤㅤㅤAlex acordou sobressaltado com o toque do celular. Seu coração estava disparado no peito, batia tão forte que ele pensou que fosse rasgar sua pele. Por um momento ele ficou sentado ali no escuro, tremendo, não de frio, mas por uma sensação mais inquietante. Tinha sido apenas um sonho... Só um sonho. Com a mão ainda tremendo, ele pegou o celular. Treze chamadas perdidas, e cinco mensagens de Sara. Ele suspirou ao ver a hora.


__Sério? São duas horas da manhã__ ele resmungou sozinho. Que tipo de pessoa telefona para outra às duas horas da manhã? Mas ele logo se sentiu culpado pelo pensamento ao abrir uma das mensagens. “Por favor, Alex, responda, eu só preciso saber se você está bem”. Ele havia sumido sem dar explicações, ela devia estar surtando de preocupação. 
ㅤㅤㅤㅤAlex resolveu que devia responder, não queria conversar ainda, mas devia a ela ao menos dizer que estava bem. Sara era a melhor namorada do mundo, a garota mais incrível que ele conhecia, o que tornava aquela sensação em seu peito estranha, aquela sensação de que ele devia guardar o que estava acontecendo para si mesmo, por mais que soubesse que ela entenderia e o faria se sentir melhor. O que também por um momento o fez se sentir culpado por sonhar estar beijando outra garota, mas bem... Ele não podia controlar seus sonhos. “Eu estou bem, desculpe ignorá-la, mas preciso ficar sozinho no momento, prometo que explico tudo depois.” Ele releu a mensagem três vezes antes de enviá-la, não parecia muito bom, mas teria de ser o suficiente por enquanto, e então desligou o telefone.


ㅤAlex pensou em voltar a dormir, mas estava inquieto demais para isso. Comer alguma coisa parecia uma boa ideia, já fazia um tempo desde que conseguira por alguma coisa no estômago, tudo parecia ter gosto de terra quando seu mundo estava virando de cabeça para baixo. Ele se forçou a levantar da cama, tirou os sapatos sujos, percebendo que tinha adormecido com eles antes e saiu do quarto, caminhando descalço pelo corredor, a sensação da madeira fria sob seus pés era agradável. Tudo estava absolutamente silencioso e escuro e conforme descia as escadas uma sensação de medo começou a tomar conta de Alex, o que era estranho, ele nunca tivera medo do escuro, talvez porque diferente de todos ele conseguia enxergar com facilidade no escuro __ só mais um detalhe para torná-lo ainda mais estranho__ , talvez fosse os quadros na paredes, com aqueles rostos sombrios que pareciam seguí-lo aonde ele fosse. Alex já sentia falta de casa, lá tudo era alegre e bem colorido, sua mãe gostava de quadros com paisagens e flores, cada cômodo tinha uma cor diferente nas paredes, sua mãe teria odiado aquele lugar, era mórbido demais. 
ㅤㅤㅤㅤAlex parou no meio da escada, ouvindo um barulho mais adiante, como algo caindo no chão.
ㅤㅤㅤㅤ__John?__ ele chamou, mas não houve resposta. John tinha dito que sairia para resolver alguns problemas, mas as duas da madrugada ele provavelmente já estaria de volta. Alex não devia ter ficado tão nervoso, mas de repente estava completamente alerta, adrenalina pulsando em suas veias. Ele desceu o restante dos degraus bem devagar, olhou em volta com cautela e ouviu o barulho novamente... Estava perto demais, mas ele ainda não conseguia enxergar nada__ John, é você?


ㅤComo resposta, ele viu com o canto dos olhos algo zunindo em sua direção. Alex só teve tempo de se inclinar para o lado antes que uma faca passasse a centímetros de sua cabeça, se prendendo na parede logo atrás. Então um homem surgiu das sombras, vindo do nada e acertou-lhe um soco no rosto, Alex caiu sentado no chão, perplexo demais para reagir ou se defender quando o homem se abaixou sobre ele, o prendendo no chão com o peso de seu corpo.
ㅤㅤㅤㅤ__Onde está?__ ele perguntou, sua voz era fria e dura. Talvez fosse coisa de sua cabeça, uma ilusão em meio ao momento de confusão, mas quando o homem o encarou Alex pensou ter visto seus olhos brilharem em vermelho vivo__ Onde está?
ㅤㅤㅤㅤAlex tentou responder, mas o homem o sufocava, apertando seu pescoço e impedindo que falasse. Sua visão ficou turva com a falta de ar e ele só conseguiu pensar que sua namorada ficaria muito brava se ele morresse assim. 
ㅤㅤㅤㅤ__Onde... __ antes que ele pudesse repetir a pergunta, algo o agarrou e o empurrou pra longe. O homem atravessou a sala voando e só parou quando acertou uma estante de livros do outro lado da sala, que despencou sobre ele. Alex abriu os olhos e respirou profundamente, tossindo, buscando desesperadamente por ar, então avistou John.


ㅤㅤAlex assentiu ainda em estado de choque, as palavras não saíam.
ㅤㅤㅤㅤ__Volte para o seu quarto__ John ordenou__ não saia de lá até que eu apareça.
ㅤㅤㅤㅤMas não houve tempo para discussão, o invasor já havia se recuperado do golpe e avançou em direção a John, tinha outra faca em mãos, que parecia brilhar na escuridão com uma luz azulada. Tinha uma expressão alucinada no rosto, feroz.
ㅤㅤㅤㅤ__Guardião__ ele rosnou a palavra como se fosse um terrível insulto e girou a faca entre os dedos, pronto a arremessá-la__ finalmente o encontrei. Diga-me onde está.
ㅤㅤㅤㅤMas John não perdeu tempo tentando responder, ele avançou contra o invasor e os dois se engalfinharam, distribuindo socos e golpes. Alex queria ajudar, mas não sabia o que fazer, então apenas ficou ali parado, observando, espantado demais para reagir. O invasor era rápido, mas John não tinha problemas em lidar com ele, lutava como se fizesse isso todo dia, ele fazia parecer tão fácil quanto respirar. Com um rápido movimento, ele conseguiu roubar a faca do homem e a enterrou em seu peito... Ele caiu no chão, como um boneco sem vida.
ㅤㅤㅤㅤ__Oh Meu Deus__ Alex murmurou de olhos arregalados, vendo o sangue que escorria pela faca__ você o matou... Ele... Está morto. Você o matou.


John o encarou, tentando achar um jeito de responder aquilo. Mas antes que tivesse a chance, o homem se levantou e saiu correndo pela porta, rápido com um raio. Fugiu como se nada tivesse acontecido, como se a poucos segundos não tivesse uma faca enterrada no peito.
ㅤㅤㅤㅤ__O que...
ㅤㅤㅤㅤ__Está tudo bem__ John pousou a faca no chão e se aproximou lentamente de Alex__ eu só o acertei com o cabo da faca Alex, só o atordoei. Está tudo bem.
ㅤㅤㅤㅤ__Mas eu vi...
ㅤㅤㅤㅤ__Está escuro, você levou uma pancada, está assustado__ sua voz era fria e calma__ está tudo bem, já acabou. Era só um ladrão, eu tenho muitas coisas de valor nessa casa, isso acontece, mas não precisa se preocupar.
ㅤㅤㅤㅤUm ladrão. Aquele homem não era um simples ladrão, aquilo... Tinha algo muito errado.
ㅤㅤㅤㅤ__Alex, você está bem?__ John ascendeu à luz da sala e ele pode enxergar melhor o estrago.
ㅤㅤㅤㅤ__Você está sangrando__ Alex sussurrou. Havia sangue manchando sua camiseta branca.
ㅤㅤㅤㅤ__Ele me arranhou com a faca, não foi nada. Você está bem? Ele te machucou?
ㅤㅤㅤㅤ__Eu estou bem__ ele respondeu, aos poucos se recuperando do choque.
ㅤㅤㅤㅤ__Desculpe por isso Alex. Como eu disse, tenho muitos objetos de valor na casa e isso atrai alguns ladrõezinhos, mas não se preocupe, vou informar a policia e tudo se resolverá. A casa é segura, é que me esqueci de ativar os alarmes antes de sair.


John o encarava com atenção enquanto falava, analisando sua reação. Ladrões, Alex sabia que isso acontecia, sua casa já fora arrombada pelo menos duas vezes e sua mãe se machucara em uma delas. Mas havia algo errado, aquele cara não era um simples ladrão. As coisas que dissera, ele parecia procurar algo especifico, parecia conhecer John. Alex queria fazer perguntas, queria saber o que ele estava lhe escondendo, ele sabia que tinha alguma coisa errada, não podia ser coincidência, mas novamente, o olhar severo de John o impediu de pronunciar as palavras. 
ㅤㅤㅤㅤ__Você devia voltar lá para cima e dormir. 
ㅤㅤㅤㅤ__Certo__ ele concordou__ eu vou. 
ㅤㅤㅤㅤEle deu meia volta e subiu as escadas sem reclamar para evitar discussões, mas não importava. Ele descobriria o que estava havendo, não era mais criança e não deixaria que o fizessem de idiota. 
ㅤㅤㅤㅤAlex não conseguiu dormir pelo resto da noite. Ficou sentado encarando a escuridão. 

                                           Fim do Capítulo

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Guardiões do Portal -Capitulo 1 (Teaser)-

ㅤㅤㅤㅤUm castelo. Foi à primeira coisa que passou pela mente de Alex quando saiu do carro e olhou para o que seria o “lugar simples” em que seu tio afirmara morar. Com um ar um tanto sombrio, surgindo misteriosamente da floresta, a mansão era exatamente o que ele imaginara dos castelos das histórias que sua mãe costumava lhe contar quando era criança. 
ㅤㅤㅤㅤPor um momento ele sorriu, lembrando-se de correr pela casa fingindo ser um príncipe que invadia o castelo, lutava com um poderoso dragão e resgatava a pobre princesa, que sua mãe costumava interpretar naquela brincadeira. Então o sorriso desapareceu quando ele lembrou o motivo de estar ali agora. Ele acordara num dia como outro qualquer e sua mãe havia sumido, ela foi embora sem avisar, deixando apenas um bilhete que não fazia sentido. “Um dia você entenderá tudo, me desculpe”. Era só isso que ela tinha pra dizer? Ele não se conformava com aquilo.
ㅤㅤㅤㅤAlex achava que devia ter percebido o que ela pretendia fazer, devia ter notado que ela estava estranha, devia ter impedido que ela fosse embora. Mas por mais que pensasse nisso, não conseguia imaginar um bom motivo para que ela tivesse simplesmente o abandonado dessa forma. O sumiço dela era muito estranho, assim como seu tio John, que surgira Deus sabe de onde para lhe buscar e cuidar dele agora que estava só. Alex tentava não se focar muito no pequeno detalhe de que nunca em seus dezessete anos de vida, sua mãe lhe contara que tinha um irmão mais velho.


Continua...


Capítulo 13

Joe estava pronto para bater na porta, quando ela se abriu e seu irmão surgiu com ar de espanto no rosto.
__Nick?__ ele disse surpreso__ você não disse que vinha visitar a Demi.
__Daiana ligou lá para casa procurando por você, como você tinha saído então eu vim ajudar.
__Ajudar em que? O que aconteceu?__ ele questionou preocupado.
Daiana apareceu na porta, à preocupação estava clara em seu semblante. O coração de Joe deu um salto no peito.
__Aconteceu alguma coisa com a Demi?__ fazia três dias que ele viera visitá-la.
__Eu fiz como conversamos__ ela respondeu__ diminui a dose dos remédios e ela finalmente acordou, estava lúcida, mas ainda sonolenta, um pouquinho confusa. Eu saí por um instante para comprar algumas coisas e quando voltei ela tinha sumido.
__Ela fugiu?
__Eu procurei pelo bairro, mas não consigo achá-la... Ela ainda não está bem para andar por aí sozinha, tenho medo que algo aconteça com ela. Ela nem mesmo levou o telefone.
__Eu dei uma volta pelo bairro__ Nick informou__, mas ainda tem muitos lugares em que podemos olhar. Pensei que talvez ela pudesse ter ido ao cemitério, eu vou dar uma olhada.
__Eu vou esperar aqui caso ela volte e telefonar para polícia__ Daiana disse e correu de volta para dentro.
__Dê uma olhada por aí, de repente você tem sorte__ Nick foi se afastando__ me ligue se tiver alguma noticia. 
Joe ficou parado ali por um momento, chocado demais para se mover ou dizer qualquer coisa. Então o momento passou, ele sentiu raiva de si mesmo, pois sabia que era o culpado e não importava como, ele ia resolver isso.


__SELENA__ ele gritou olhando em volta__ se você está ai mesmo, por favor, apareça. Me diga onde eu posso encontrá-la, para que eu possa ajudá-la.
Nada aconteceu, havia apenas o silencio. Ele fechou os olhos por instante e respirou fundo, depois sussurrou bem baixinho.
__Selena, por favor. É tudo culpa minha... Me ajude para que eu possa ajudá-la. 
__Olhe para mim Joe, eu estou bem aqui__ ouviu uma voz familiar murmurar__ não posso ajudar se você não deixar.
Joe abriu os olhos bem devagar e perdeu o fôlego quando finalmente viu. Ela estava bem ali, igualzinha como na ultima vez em que ele a vira, com um short e um casaco grande demais para ela. Ela estava bem ali na sua frente.
__Oh meu Deus, é você mesmo__ ele murmurou.
__Você pode me ver?__ ela arregalou os olhos.
Depois do momento de choque, ele recuperou a razão e se lembrou do motivo de tudo aquilo. Haveria tempo para surtar depois.
__Selena, você sabe onde a Demi está? Sabe para onde a Demi foi?
__Han... Ela pegou um táxi. Está indo para onde tudo começou Joe... O sitio.
__Oh droga.
Joe não perdeu tempo, correu até o carro e deu partida. Selena estava logo ao seu lado.
__Vá até ela__ ele ordenou__ tente pará-la, fazê-la voltar para casa.
__Ela não quer me ouvir, disse que vai por um fim em tudo.
__Continue tentando__ ele insistiu.
__Vá depressa Joe... Ela está quase lá__ então desapareceu.
Joe pisou fundo no acelerador.


Demi caminhou com cuidado pela ponte e parou ao alcançar o meio. Ela olhou para a água lá embaixo e as lembranças voltaram de uma vez. Selena caindo lá em baixo e desaparecendo na escuridão. Nunca sentiu tanto medo e desespero em toda sua vida, como naquela noite.
__Demi__ ela tomou um susto quando ouviu a voz chamar seu nome e quase caiu, mas conseguiu se equilibrar a tempo. 
__O que você está fazendo aqui?__ ela gritou ao ver Joe__ vá embora.
__Demi, por favor, volte até aqui, vamos conversar.
__Eu não tenho nada para conversar com você. Eu estou cansada, vou acabar com tudo isso.
__Demi escute__ ele implorou__ eu sinto muito por ter duvidado de você.
__Tarde demais.
__Não se tratava de você Demi, mas de mim__ ele continuou a falar, mantendo sua atenção__ eu estava aqui naquela noite.
__O que?__ ela o encarou confusa.
__Fui eu que convenci o Nick a se declarar para Selena. Ele disse que eu devia seguir meu próprio conselho e dizer a você como eu me sentia. Passei a noite toda acordado pensando nisso, tentando criar coragem para dizer que era apaixonado por você.
__O que isso tem a ver?
__Eu estava no salão quando vocês saíram, não conseguia dormir e quis andar um pouco. Eu vi vocês duas escapulindo no meio da noite e segui as duas, queria saber aonde iam. 
__Você seguiu nós duas?


__Sim__ ele confirmou__ estava escuro e chovendo... Eu me perdi de vocês e acabei pegando o caminho errado. Ao invés de vir até aqui, eu fui por baixo e parei na beirada do rio. Eu vi... Eu vi de lá de baixo quando a Selena caiu. Eu fiquei tão assustado Demi, eu tive tanto medo. Eu não consegui fazer nada. Eu só fiquei ali parado olhando, não consegui ajudar. 
__Você nunca me contou isso.
__Porque eu tinha vergonha, porque eu me sentia culpado. Eu estava lá... Eu podia ter ajudado e não fiz nada__ uma lágrima desceu por seu rosto__ quando você disse que a via, eu fiquei com medo. Eu não queria acreditar, porque se fosse verdade, então ela me culparia? Ela me odiaria por ter ficado parado a vendo morrer? Eu não ia suportar. 
__Joe...
__Eu contei a policia, e aos pais da Selena. Eles me disseram que eu não podia ter feito nada. A correnteza a noite é forte demais, é perigoso até para um profissional. Disseram que eu só teria morrido junto com ela, que não teria feito diferença. Mas isso não fez a culpa diminuir. Ela era minha amiga, e teria sido melhor se eu tivesse morrido tentando salvá-la a ter ficado ali olhando. É só que... Eu estava com medo, eu não sabia o que fazer. 
Selena apareceu ali bem ao lado de Demi, ela tinha lágrimas nos olhos também.
__Não foi culpa de ninguém__ ela disse__ eu escolhi atravessar a ponte, eu escorreguei e caí. Você não podia ter feito nada Joe, assim como a Demi não podia. Eu não ia querer que ninguém morresse por minha culpa, por eu ser estúpida e imprudente. 
__Selena disse que...
__Eu sei__ Joe a interrompeu__ eu posso vê-la agora.


__Foi um acidente__ ela sussurrou__ já acabou, vocês precisam entender.
__Eu sinto muito Selena, por não poder ter feito nada por você, por não ter impedido. E sinto muito Demi, por ter feito você se sentir como se fosse louca. Não era com você, o problema era eu, eu nunca quis te magoar, te fazer nenhum mal. Eu só não sabia como lidar com tudo isso. Eu sinto muito.
__Demi__ Selena sussurrou__ volte para lá. Perdoe ele. Joe não fez por mal, ele só precisava seguir em frente, como você e Nick, ele precisava de ajuda também. 
__Eu não...
__Acabou agora__ ela deu um meio sorriso__ está na hora de seguirmos em frente. Você precisa me deixar ir.
__Não vou poder mais ver você?
__Eu sempre estarei com você. Mas você precisa superar, precisa esquecer... Apenas me deixe ir. 
Demi respirou fundo e lentamente se virou. Devagar, com todo cuidado ela começou a caminhar de volta para terra, Joe estendeu os braços, esperando. Demi estava quase lá, faltava bem pouco. Então ela escorregou, ouviu o barulho da madeira partindo e se imaginou caindo no vazio, assim como Selena. Ela gritou, mas não havia porque ter medo... Braços fortes a seguraram e num piscar de olhos ela estava com os pés firmes em terra, segura nos braços de Joe. 
__Você está segura agora__ ele sussurrou em seu ouvido__ acabou. 
Ela olhou em volta, mas Selena não estava mais lá, tinha ido embora. Então ela chorou, chorou como no dia em que ela morreu, como se a perda fosse ali e agora... Sua melhor amiga tinha finalmente partido e dessa vez era para sempre. 

Fim do Capítulo


Epílogo

Demi colocou as flores sobre a lápide e se sentou no chão em frente ao túmulo.
__Já faz um bom tempo que eu não venho aqui__ ela murmurou olhando em volta__ então... Eu não sei se você pode me ouvir, eu gosto de pensar que sim. Bem... Temos que por o assunto em dia. 
Podia parecer meio estúpido, ela sentada ali conversando com o túmulo. Mas depois de tudo pelo que tinha passado, ela sinceramente não se importava em parecer estúpida ou louca, agora ela sabia que tudo era possível. 
__Muita coisa mudou esse ano desde que você foi embora. Eu concordei em continuar visitando a psicóloga, isso fez com que minha mãe desistisse de me encher de remédios, mas a verdade é que é bom ter alguém com quem desabafar, alguém que me ouça e não me julgue. Tem me ajudado bastante a superar tudo isso__ ela puxou um pedaço de grama do chão e mexeu entre os dedos distraidamente__ eu também mudei de escola. Não podia continuar freqüentando um lugar onde todos me achavam louca, onde ninguém gostava de mim. E isso foi bom também, um novo começo. A nova escola é bem bacana, até fiz uma nova amiga. 
Demi sorriu consigo mesma, as coisas realmente estavam melhorando aos poucos.
__O nome dela é Vitória. Ela é muito legal, bem maluquinha, me lembra um pouco você. Mas você não precisa ficar com ciúme, porque nunca vai existir no mundo uma amiga melhor que você. Alguém que não desistiu dos amigos mesmo depois de morrer. Nunca vai existir alguém tão incrível... Deviam escrever um livro sobre você__ ela brincou__ ahn... O Nick também esta se saindo muito bem. Ele arrumou uma namorada, Gabriela. Ela é muito bacana, eu me certifiquei que não fosse uma vaca como a Mia, então você pode ficar tranquila.

Tinha sido difícil, mas aos poucos estavam todos seguindo o conselho da amiga... Estavam seguindo em frente. 
__Eu e Joe ainda estamos juntos, mais unidos que nunca. Ele também fez algumas visitas a um psicólogo, mas acho que não se sente mais tão culpado. Ele entendeu, assim como eu, que não havia nada que podíamos fazer. Sabe... Você faz muita falta por aqui, mas acho que está num lugar melhor agora, então tudo bem. Sei que vamos nos ver de novo algum dia.
Ela ouviu uma buzina e olhou para trás. Um jipe estava estacionado na entrada do cemitério, dentro dele estavam Nick e sua namorada, Vitória, sua nova amiga e também Joe. Ela sorriu e acenou para eles.
__Eu tenho que ir agora, mas eu prometo voltar para te atualizar das novidades__ ela se levantou e limpou a sujeira do short__ te amo amiga, até mais. 
Demi sorriu e caminhou até o carro, se sentou junto com os amigos e quando partiram ela não olhou para trás. Estava um dia incrivelmente lindo, ensolarado, bom para se divertir e ela sabia que não importava aonde fosse, Selena estaria sempre por perto. Afinal elas eram melhores amigas para sempre, e algo assim, nem mesmo a morte podia mudar.

Fim