sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Capítulo 27

Abriu os olhos preguiçosamente, ainda sentindo o corpo cansado, implorando por mais algumas horas de sono. Estava de costas para a janela, mas podia perceber a forte claridade que entrava por entre as brechas da cortina. Quando conseguiu manter os olhos abertos, viu que o relógio no criado mudo ao seu lado marcava quase dez da manhã.
Reparou pela primeira vez no lençol branco que a cobria quando um corpo se mexeu ao lado ao seu. Não conseguia vê-lo, mas sabia que ele estava acordado e a observava.
Sentiu os dedos dele acariciarem desde a base das suas costas até a sua nuca, com tamanha delicadeza que o gesto poderia ter passado despercebido se ela não estivesse acordada. Suspirou, apenas para confirmar que já estava acordada, mas duvidava que ele ainda não soubesse disso. Novamente os dedos a tocaram, dessa vez desenhando a curvatura de sua cintura e depois seu ombro. Cada toque queimava sua pele, fazia com que algo dentro dela despertasse do que parecia ter sido um longo sono.
A mão dele espalmou suas costas, deslizando sensualmente até sua barriga, por debaixo do lençol. Prendeu a respiração quando os dedos dele, ainda mais ousados que antes, dedilharam a pele embaixo do seu umbigo. Quase não foi capaz de conter um gemido quando o corpo dele colou no seu. Ela estava nua e sabia que ele também estava, a única coisa separando suas peles era o fino pano branco.
Seu cabelo, antes cobrindo seu ombro e suas costas, foi afastado e agora estava espalhado sobre o travesseiro. Encolheu os ombros ao sentir os lábios dele entrarem em contato com sua pele, agora ainda mais quente do que antes. Uma trilha de beijos até seu ouvido foi finalizada com uma mordida leve em seu lóbulo e um riso fraco e brincalhão.
Quando Joe tocou sua cintura, virando seu corpo para ele, não teve opção, senão ceder e encará-lo de uma vez. Deixou que ele encaixasse uma das pernas no meio das suas e se apoiasse no braço para que não largasse o corpo em cima do seu.
Os olhos dele, ainda mais transparentes que o normal, analisaram seu rosto com cuidado. Os dedos dele agora estavam perdidos em seu cabelo, enquanto o dedão acariciava sua bochecha. Perguntou-se por quanto tempo mais aquela tortura duraria.
Joe deixou que um sorriso quase imperceptível surgisse em seu rosto ao perceber a tensão no corpo da garota embaixo do seu. Seus rostos estavam tão próximos que podia sentir a ponta do nariz dela roçar no seu. Os olhos dela, vez ou outra, miravam sua boca, mas se desviavam rapidamente, talvez com medo de serem flagrados.
Mordiscou o lábio inferior dela algumas vezes, até prendê-lo entre seus dentes e o puxar, sentindo Demi corresponder, encravando as unhas em seus ombros. Os olhos dela ainda estavam vidrados nos seus, o desejo explicito neles. Deslizou a língua por entre os lábios entreabertos dela e ouviu um gemido de aprovação como resposta. Ela abriu a boca, deixando que sua língua encontrasse a dela. Quando ela passou os braços por seu pescoço, deixou que o peso de seu corpo caísse sobre o dela, fazendo-os estremecer com o contato.
Demi arranhou as costas do garoto enquanto sentia as mãos dele viajarem por seu corpo, deixando que a delicadeza fosse substituída pelo desejo. Sua pele antes quente, agora pegava fogo e desejava por cada vez mais contato. Ela não queria parar, seu corpo implorava por mais, mas algo em sua mente gritava, impedindo-a de ir mais longe. 


- Joe. – Ela o afastou um pouco, empurrando-o pelo peito. Recebeu um olhar reprovador e confuso de volta. – A gente precisa conversar. – Foi necessário juntar mais do que coragem para falar aquilo. O pouco de contato perdido quando ele se afastou, já fez seu corpo esfriar.
Joe concordou, claramente sem dar atenção ao que ela havia falado. Enterrou o rosto no pescoço dela e distribuiu alguns beijos naquela área, deixando que suas mãos apertassem as coxas dela.
Demi gemeu, tanto em reprovação a falta de atenção dele, quanto num pedido por mais. Ela sabia que aquilo já havia ido longe demais. Eles precisavam conversar, havia muito a ser dito, não sobre a noite anterior, porque ela fora resolvida através de gestos que valeram mais do que quaisquer palavras, mas sobre o que iria acontecer a partir do momento em que ela saísse daquele quarto. 


- Joe, por favor. – Implorou, lutando contra todo seu corpo que teimava em querer mais e mais.


- Dem, - Joe se afastou, apenas o suficiente para olhar nos olhos dela. – a noite passada valeu mais do que qualquer conversa que a gente possa ter. Nós dois sabemos o que ela significou e...


- Não é sobre a noite passada que a gente precisa conversar. – Insistiu. 


- A não ser que você queira me dizer que vai voltar comigo pra Londres, eu, honestamente, não quero ouvir.
Demi o olhou, indignada. 


- Então é isso? Eu venho até aqui, me humilho... 


- Você se humilhou? – Joe aumentou um pouco a voz, saindo de cima dela e sentando na cama. – Fui eu que disse que não voltaria sem você, fui eu que impedi você de sair desse quarto ontem. O único que se humilhou fui eu! 


- É, Joe, você é sempre o forte, o altruísta da relação. Eu sou a vilã, a cabeça dura. Fui eu que destruí nossa relação quando vim pro Japão, fui eu quem partiu seu coração, a culpa de tudo isso é minha! Por que você não fala isso de uma vez? 


- Porque a única coisa que eu quero dizer é que eu te amo, e a única coisa que eu quero ouvir de você é que esses dois anos não mudaram seus sentimentos. Eu só preciso disso, - Ele apontou para a cama, para seus corpos nus. – foi só isso que eu desejei por quase dois anos. – Relaxou os ombros, derrotado. – Por que você precisa tornar tudo isso tão difícil?
Demi o olhou, confusa, ainda tentando absorver o impacto das palavras dele. Abraçou as pernas, sentindo o coração apertar e o nó na garganta incomodar. Observou Joe se levantar, pegar um maço de cigarros, um cinzeiro, e ir em silêncio até a janela.
Desde quando ele fumava?
O quarto permaneceu silencioso por longos minutos. Nenhum dos dois ousou quebrar esse silêncio, mesmo que ele falasse mais alto do que suas vozes minutos antes.
Ainda sem saber direito o que dizer, mas tendo certeza de que algo precisava ser feito, Demi se levantou e caminhou até onde Joe estava. 


- Desculpa. – Sussurrou, abraçando-o por trás. – Não queria que a gente discutisse. – Beijou suas costas.
Joe permaneceu em silêncio, aproveitando a sensação agradável que o cigarro lhe dava e sentindo a garota distribuir beijos por suas costas e seus ombros. O corpo dela grudado no seu fazia com que seu sangue corresse mais rápido e sua pele esquentasse instantaneamente. Podia sentir os arrepios, e a forma como seu coração acelerava fora de controle chegava a ser patética.
Quando o cigarro estava no fim, amassou-o no cinzeiro, soltando a fumaça uma última vez. Demi permanecia abraçada a ele, o rosto quente colado na pele nua de suas costas. Pegou uma das mãos dela e a levou até os lábios, dando um beijo carinhoso em sua palma. Ela correspondeu apertando o abraço.
Joe segurou os braços dela e os afastou um pouco, apenas para poder virar de frente e encará-la. Os olhos sinceros dela não escondiam o arrependimento e a culpa por ter começado a discussão. Segurou seu rosto com as duas mãos e deixou as testas encostadas, adorava sentir as ondas elétricas que o atingiam cada vez que ela chegava perto demais. 


- Você me desculpa? – Ela perguntou, de uma forma tão inocente que ele não pôde conter um riso. 


- Não tem nada pra desculpar, foi uma discussão boba e sem significado.
Demi sorriu, sabendo que aquilo era verdade. Aquela discussão não significara nada, ela não iria conseguir estragar a noite que passaram juntos. Acordar ao lado dele havia sido a melhor coisa que acontecera desde que fora para o Japão e ela não conseguia mais se imaginar acordando de outra forma. Como poderia deixá-lo ir de novo? 


- Eu te amo tanto. – Sussurrou, como se estivesse contando um segredo. Nos braços dele ela se sentia de novo uma adolescente indefesa, uma criança com medo do escuro.
Joe passeou os lábios pelas bochechas dela, sentindo a maciez de sua pele. Ainda não conseguia entender como passara dois anos longe dela, longe daquele corpo, daquela pele. Agora que ela estava lá, era como se aquele tempo não tivesse passado, como nunca tivesse havido uma despedida. Sabia que no dia seguinte teria que voltar pra Londres, e também sabia que ela não poderia voltar sem concluir o curso. Como poderia deixá-la ir de novo?
Seus lábios se encontraram num beijo sutil, delicado, cheio de ternura e inocência. Os dois ainda estavam com os olhos abertos, conseguindo ver seus reflexos na íris um do outro.
Joe abraçou a garota pela cintura e a levantou, fazendo com que ela cruzasse as pernas em sua cintura e os braços em seu pescoço. O caminho até a cama era curto, em questão de segundos eles já estavam novamente sobre o colchão, repetindo a noite anterior, sentindo novamente as emoções e se entregando sem restrições aos sentimentos que os dominava.

Demi observava os dedos de Joe brincarem distraidamente com os seus. A respiração dele era leve e compassada, podia sentir seu peito subir e descer calmamente, assim como as batidas do seu coração que eram possíveis de ouvir por estar com a cabeça apoiada bem em cima dele.
Vez ou outra um beijo delicado era depositado em seus cabelos e era impossível conter o sorriso que se formava em seu rosto. Deitada ali ela estava em paz consigo mesma e com o mundo. Todos os problemas haviam desaparecido. Tudo em sua volta se resumia àquele momento.
Uma batida na porta fez com que eles se entreolhassem. 


- Jonas, acorda! – A voz de Nick soou do outro lado.
Joe se levantou e caminhou preguiçosamente até a porta.
Demi não conseguiu escutar o que ele disse à Joe, mas ouviu quando ele soltou um animado “Oi, Dem!”. Riu, devolvendo o cumprimento e sentindo o rosto queimar um pouco. Se ele sabia que ela estava ali, então Chris e Kevin também sabiam... E provavelmente toda a equipe que havia ido com eles para o Japão.
Quando a porta foi fechada e Joe voltou a deitar ao seu lado na cama, ela o olhou, questionando o que Nick queria. 


- Tem uma entrevista marcada duas horas em alguma rádio. – Respondeu, passando o braço pelos ombros dela.
Demi olhou o relógio que marcava quase meio dia. Na mesma hora sentiu seu estomago roncar em protesto. Nem café da manhã havia tomado ainda.


- Que tal um banho e um almoço farto? – Brincou. 

Joe concordou com um sorriso, mas não se mexeu, continuou abraçando-a e fazendo um carinho delicado no braço da garota. Demi levantou a cabeça do ombro dele para poder olhá-lo. 

- O que foi? – Perguntou, vendo os olhos dele a analisarem.
Alguns instantes de silêncio se passaram até que ele balançasse a cabeça e beijasse seus lábios longamente. Os braços dele passaram por suas costas e por detrás dos seus joelhos, carregando-a com uma facilidade que ela ainda não sabia que ele era capaz. 


- Hm. – O olhou, intrigada. - Alguém andou malhando? – Brincou. Ele nunca a carregara daquela forma, era quase como se ela fosse uma criança.
Joe riu antes de fechar a porta do banheiro e responder. 


- Você já vai descobrir.
Em pouco mais de uma hora Demi e Joe já estava no saguão do hotel, depois de um almoço rápido em que Richard, o produtor do McFLY, falava tanto que quase foi capaz de tirar o apetite dos dois.
Os outros garotos já estavam caminhando em direção a van que os levaria até a rádio. Joe fez questão de ficar pra trás enquanto segurava firme na mão da menina ao seu lado, quase com medo de soltá-la e deixá-la partir. 


- Não vou a lugar nenhum. – Ela sussurrou.
Ele a olhou, assustado. Seus pensamentos eram assim tão óbvios? 


- Estarei bem aqui quando você voltar. Só preciso ir em casa resolver algumas coisas. 


- Eu sei. – Respondeu, encostando a testa na dela e respirando fundo, tentando inalar o máximo que podia do perfume doce que exalava dos cabelos dela.
Ele se odiava por estar parecendo um bebê, por estar tão vulnerável. Toda a barreira que construíra em volta de si durante dois anos fora quebrada em apenas uma noite. 


- Te vejo mais tarde então. – Despediu-se, segurando o rosto dela com apenas uma mão e selando seus lábios longamente antes de ir atrás dos companheiros de banda e entrar na van
. 


# Flashback (1 ano antes)

- Observou em silêncio o calendário na parede, destampou a caneta em sua mão e circulou o dia que supostamente era para ser seu, mas o relógio já marcava mais de dez da manhã e ainda nenhum parabéns lhe fora dado.
O computador apitou com um barulho irritante que informava que havia um novo e-mail na caixa de entrada. Hesitou um pouco antes de sentar na cadeira em frente à ele e abrir o seu e-mail.
Imaginou se seria mais um spam que fora enviado para o lugar errado, mas sorriu ao ver o remetente conhecido.
“Amiga, que saudade!
Nem acredito que você já está completando 18 anos. Parece até que eu mudei para França, mas já fazem três anos.
Enfim, isso não importa. Quero te desejar um aniversário incrível, e um dia maravilhoso, espero que você curta muito essa maioridade. Algo especial preparado para hoje? Queria poder estar aí para comemorarmos juntas. Quem sabe nas próximas férias?
Escreva mais, sinto sua falta.
Com amor,
Claire.”


Sorriu sozinha, um sorriso meio sarcástico e meio feliz. Queria ter ao menos Claire ao seu lado, pelo menos ela se lembrara e se incomodara em mandar os votos de felicidades. Mas parecia até que havia esquecido com quem estava falando. Algo planejado para o dia? Era sério?
Olhou novamente o relógio e decidiu tomar um banho para ver se a hora passava mais rapidamente.
Quem visse de fora poderia pensar que ela ansiava para que a noite chegasse logo, como qualquer adolescente que esperava por uma grande festa no final do dia. Mas a verdade era que ela apenas ansiava por uma ligação, apenas um telefonema que faria o seu aniversário valer a pena.
Depois de um longo banho, enrolou-se na toalha felpuda e voltou para o quarto. Checou mais uma vez os e-mails, mas o mais novo ainda era o de Claire. Logo acima do computador estava o mural de fotos, agora mais vazio já que ela tirara alguns bilhetes que costumava trocar com Claire durante as aulas.
A foto central fora tirada dez anos antes, pouco tempo antes do acidente que matara sua mãe. Na foto as duas sorriam para a câmera, a vista no fundo revelava que o retrato havia sido tirado em uma das cabines da recém inaugurada London Eye. 



- Sinto sua falta, mãe. – Sussurrou.
Um vento frio entrou pela janela entreaberta e ela correu para fechá-la. Ao mesmo tempo, em cima do criado mudo, seu celular tocou. Demi sorriu antes mesmo de ler o nome no visor.



- Parabéns, maior de idade!
A voz do outro lado da linha fez seu coração acelerar e um sorriso se formar em seu rosto. Era simples assim. Bastavam poucas palavras vindas dele para que ela ficasse naquele estado. 



- Hm... Valeu. – Respondeu, sem jeito. Nunca fora muito boa na hora de dar e receber parabéns. 



- Sabe que eu te desejo tudo de melhor, né? – A voz de Joe estava animada e havia música ao fundo. – Algo planejado para o dia? 



- Nah. – Deu de ombros. – Recebi um e-mail da Claire. - Desconversou. – Queria que vocês estivessem aqui.
Joe suspirou do outro lado da linha. 



- Também queria poder estar aí. Desculpe. Estou indo até Brighton, mas volto ainda hoje. Se não for tarde, passo aí, tudo bem? 



- Você fala como se eu fosse uma criança. – Demi riu. – Não tem problema, o telefonema basta.
- Não pra mim. Vou te ver mais tarde, está resolvido. Preciso desligar, estou esperando uma ligação. Aproveita o seu dia. 



- Pode deixar. – Sorriu. – Beijo. 



- Beijo, linda. Te amo. – Joe desligou antes que ela pudesse responder. 



- Também te amo. – Sussurrou para si mesma.
Jogou o celular na cama e suspirou, pensando se valia a pena passar o dia no quarto ou sair para celebrar os seus dezoito anos, mesmo que fosse sozinha.
Abriu o armário e analisou as roupas. O sol lá fora brilhava, mas o dia estava frio, nada que exigisse mais que uma calça jeans e um moletom. Vestiu-se rapidamente, agora já animada com a idéia de tomar um café da manhã tardio na Starbucks e quem sabe comprar um presente para ela mesma.
Colocou o celular no bolso de trás da calça e checou o cabelo no espelho. Pensou em prendê-lo num rabo de cavalo, mas resolveu deixá-lo solto, era um milagre que ele tivesse amanhecido tão arrumado e liso.
Desceu as escadas, estranhando o silêncio, normalmente a televisão estaria ligada e seu pai estaria esparramado no sofá. Checou a cozinha e o jardim que ficava na parte de trás, mas a casa estava mesmo vazia.
Pegou a chave e saiu para o vento frio do lado de fora. Caminhou pela rua, observando os jardins vazios das casas vizinhas. Havia muitas crianças naquela vizinhança, mas parece que o tempo frio estava obrigando-as a ficar dentro de casa.
Quatro quarteirões depois, ela estava finalmente protegida do frio. O cheiro de café a atingiu em cheio, fazendo seu estômago doer de tanta fome. Já era quase meio dia, mas ela não estava preocupada com o horário. Era o dia dela, e iria aproveitar o máximo que podia longe de casa.
Depois de fazer o pedido e esperar no balcão para que ele ficasse pronto, foi se sentar na mesinha com uma poltrona preta de couro que ficava ao lado da enorme janela de vidro que dava para a rua pouco movimentada.
Acomodou-se no sofá e pegou uma revista de fofoca que estava no revisteiro ao seu lado. Com a mão livre pegou o café e bebericou, constatando que ainda estava muito quente. Folheou a revista, tentando encontrar alguma matéria interessante e que prendesse sua atenção, mas tudo que havia ali eram notícias sobre novos namoros e términos das principais celebridades do mundo. Deixou a revista de lado e pegou o muffin em cima da mesa, se concentrando apenas em não se preocupar em nada que não fosse qual presente iria dar para si mesma.
Terminou o café sem pressa, tentando aproveitar o máximo que podia do aconchego e da temperatura agradável da cafeteria.
Já sabendo o que queria e onde iria comprar seu presente, se levantou e resolveu encarar de uma vez o frio do lado de fora. Colocou as mãos no casaco do moletom e caminhou apressada para uma livraria que ela adorava e não ficava muito longe dali.
A caminhada acabou sendo mais rápida do que ela se lembrava da última vez que estivera ali.
Passou pelas portas automáticas e sorriu ao ver as enormes estantes de livros. Já havia perdido as contas de quantas tardes passara ali, perdida em livros. Alguns atendentes da loja já a conheciam e a chamavam pelo nome, cansara de torrar a paciência deles perguntando sobre as últimas novidades literárias.
Olhou os últimos lançamentos, lendo algumas sinopses e folheando alguns livros. Já havia pesquisado sobre alguns e sabia qual queria comprar, mas um de seus hobbies preferidos era ir a livrarias e procurar por livros, novos ou velhos, ela não ligava.
Caminhou até uma de suas estantes favoritas, era impossível ir ali e não passar pela seção de livros jovem adulto. Podia tranquilamente passar horas olhando os livros daquela estante.
Pegou alguns exemplares que ainda não conhecia e leu as sinopses, anotando mentalmente o nome dos que gostava. 



- Posso ajudá-la? – Uma atendente sorriu, simpática.
Demi sorriu de volta e balançou a cabeça negativamente. 



- Não, estou só dando uma olhada. Obrigada.
A atendente concordou e se dirigiu até uma senhora ali perto que parecia perdida.
As horas passaram tão rapidamente que, ao olhar o relógio, Demi se assustou ao ver que horas eram. Já estava ali há três horas, mas podia jurar que tinha acabado de chegar.
Pegou dois livros que já tinha escolhido e se dirigiu até o caixa. 



- Olá, boa tarde!
- Oi!
A mulher no caixa pegou os livros e os registrou. 



- Já tem cadastro na loja?
Demi confirmou e deu o número de cadastro. 



- Hoje é seu aniversário! – A mulher afirmou sorrindo. – Parabéns! Aniversariantes ganham 15% de desconto. 



- Hm, perfeito! Queria saber disso desde o ano passado. – Riu, lamentando.
Saiu da loja com um sorriso no rosto e uma sacola na mão. Aquele estava sendo um ótimo aniversário. Solitário, claro, mas ela estava se virando bem sozinha.
O cheiro de comida vindo do restaurante ao lado a fez perceber que a fome já estava a atingindo novamente. Resolveu aproveitar que ainda estava aberto. Em breve a maioria dos restaurantes fecharia e só abririam novamente pela noite.
Almoçou o mais lentamente que pôde, sabendo que quando terminasse teria que voltar para casa. Seu pai provavelmente já estava lá, talvez a jogatina já tivesse até começado.
No caminho para casa, apesar do frio, andou lentamente e parou para olhar todas as vitrines que pôde. Poderia ter pegado o metrô e simplificado tudo, mas sua vontade de chegar logo em casa era mínima, existia apenas porque seus pés estavam cansados depois de tanta caminhada.
Do lado de fora já podia ouvir a televisão ligada em algum esporte que era impossível de identificar apenas pelo barulho. Abriu a porta e o cheiro de cerveja e cigarro a atingiu em cheio. Fez careta, odiando o odor que juntamente com as risadas roucas tornavam a cena ainda mais nojenta do que ela já era. 



- ‘Tava aonde? – Seu pai perguntou.
Obrigada pelos parabéns, pensou. 



- Saí para almoçar. 



- E essa sacola aí? – Apontou a sacola da livraria na mão dela. 



- Livros. – Respondeu, pegando o celular que vibrava em seu bolso. 



- Oba, mensagem do namorado. – Sean, um dos amigos nojentos do pai, que estava passando por ela com uma garrafa de cerveja na mão, pegou o celular antes que ela conseguisse ler a mensagem que Joe havia mandado. 



- Devolve meu celular! – Gritou, irritada. 



- Joe. Quem é Joe? – Sean perguntou enquanto lia a mensagem.
Demi avançou na direção dele, mas seu pai, com uma agilidade impressionante para um bêbado, conseguiu ficar entre os dois. 



- Joe? – Pegou o celular e olhou para a filha, a raiva faiscando em seu olhar.
Demi não disse nenhuma palavra, apenas observou o pai ler a mensagem. Seu coração batia acelerado, podia sentir o ódio crescente pulsando por todo seu corpo. Queria gritar, bater e expulsar todos aqueles homens de sua casa. Eram todos lixos desprezíveis. 



- Passo aí mais tarde? – O pai finalmente falou, reproduzindo a mensagem que havia lido. – Se esse moleque ousar pisar os pés na minha casa, eu cuidarei para que ele não saia vivo. 



- Você não faria isso. – Demi respondeu, os dentes cerrados e a respiração desregulada. 



- Teste. Traga ele aqui e você vai ver o quão sério eu estou falando.
A menina respirou fundo, controlando a vontade de chorar. Não iria demonstrar tamanha fraqueza na frente de nenhum deles. 



- Quero meu celular de volta. – Estendeu a mão. 


Seu pai riu desgostosamente e colocou o aparelho no bolso da bermuda que usava. 


- Suba para o seu quarto. Não quero mais ver a sua cara hoje. 



- Devolve meu celular! 



- Para você ficar trocando juras de amor com aquele safado miserável? Não! 



- Não fale assim dele. – Respondeu pausadamente. 



- Sua vadia! Você é igualzinha a sua mãe! Saia já da minha frente antes que eu te expulse dessa casa.
Demi o olhou, controlando a tremedeira que atingia todo seu corpo. Queria dizer tudo que estava entalado em sua garganta há anos. Queria bater naquele homem que um dia chamara de pai. Naquele momento, ela poderia matá-lo. 



- Suba. Agora! – Ele gritou uma última vez.
Demi virou e subiu as escadas correndo. Já podia sentir as lágrimas escorrendo por suas bochechas, os soluços enchiam seu peito. Tropeçou no último degrau e por sorte não caiu de cara no chão.
Entrou no quarto e bateu a porta com força, trancando-a antes de se jogar na cama e deixar que o choro roubasse o silêncio do quarto. Seu coração doía, seu corpo ainda tremia e ela se sentia fraca, vulnerável e indefesa.
Chorou até sentir os olhos arderem, até sentir-se incapaz de derramar mais alguma lágrima. Chorou por sua mãe, por Joe e por ela mesma. Chorou até perder as forças. E depois apagou.

Um trovão a despertou de seu sono forçado. O sonho confuso ainda passava em flashes por sua cabeça, só conseguia se lembrar de ver sua mãe eJoe, todo o resto era um borrão. Esfregou os olhos e se sentou na cama, reparando que o sol já havia ido embora e dera lugar para a noite chuvosa.
Escolheu as pernas e abraçou os joelhos. Não gostava de trovões, especialmente quando estava sozinha. Os clarões repentinos iluminavam o quarto escuro a todo o momento, assustando-a ainda mais e fazendo-a parecer uma criança indefesa.
Levantou da cama e sentou na poltrona perto da janela. Precisava sair dali, mas seria difícil fazer tudo sozinha.
Pegou o telefone em forma de hambúrguer que ficava ao lado da foto de sua mãe. Ela amava aquela foto, tinha tirado apenas alguns meses antes de sua mãe falecer em um acidente de carro. Sorriu fraco, desejando com todas as forças que sua mãe tivesse sobrevivido e seu pai tivesse ido no lugar dela. Se isso tivesse acontecido, certamente as duas estariam felizes, comemorando o aniversário de dezoito anos da garota.
Ouviu a voz alta do pai vinda da sala, seguida de mais risadas, olhou o telefone infantil em sua mão e discou os únicos números que sabia de cor, aqueles números lhe transmitiam uma calma somente pelo fato dela discá-los. 



- Alô. 

# End of flashback

A caneta batia no caderno num ritmo já acelerado que se intensificava a cada vez que a porta era aberta. Os pés também ritmados denunciavam o nervosismo e a ansiedade misturados num temor silencioso que era marcado pelas dez olhadas no relógio em menos de um minuto.
Sentiu uma mão em seu ombro e a voz de Makedde lhe dizendo algo que não conseguira identificar. Num mesmo instante a porta se abriu e um senhor careca e com uma aparência cansada entrou, cumprimentando a todos com um bom dia baixo e um aceno de cabeça.
Demi suspirou aliviada e se levantou num pulo. O relógio em seu pulso indicava que o professor estava dez minutos atrasado, portanto ela não podia perder mais tempo. Enquanto esperava os colegas sentarem em seus devidos lugares, imaginou Joe, que provavelmente já estava no aeroporto. Desejou que o vôo dele também atrasasse, não podia nem pensar na possibilidade de não se despedir dele. Prometera que estaria no aeroporto no horário combinado e estava disposta a honrar esse compromisso.
O professor pigarreou, chamando sua atenção de volta para a sala de aula. Demi sorriu, esperando que aquela apresentação fosse tão breve quanto das vezes que a ensaiara.
Ela havia esquecido apenas um detalhe: nos ensaios ninguém a interrompia com perguntas impertinentes e pedidos para que ela repetisse uma parte específica da explicação. A vontade de rolar os olhos cada vez que isso acontecia estava vencendo sua disposição para tirar uma nota máxima naquela apresentação.
Respondeu cada um dos questionamentos com o máximo de calma que conseguiu juntar, enquanto fazia um enorme esforço para não olhar o relógio e perceber o quanto já estava atrasada.
Quando finalmente se viu livre daquelas obrigações, jogou as coisas na bolsa e saiu em disparada até o ponto de táxi que ficava próximo ao prédio de aula do curso de Design. Conseguiu ouvir Makedde desejar boa sorte antes de sair da sala, mas não teve tempo de responder que iria precisar de mais do que sorte para chegar a tempo no aeroporto.
Dentro do táxi seu coração batia acelerado. Cada vez que o motorista parava em um sinal ainda amarelo, tinha vontade de xingá-lo, mas ao invés disso, apenas fechava os olhos e contava até dez.
Percebeu que a bolsa ainda estava em seu ombro, o braço apertando-a com a mesma força desde que entrara no carro. Puxou algumas vezes o ar, obrigando-se a inspirar e expirar muito lentamente e seguidas vezes. Tudo ia dar certo, ela precisava relaxar.
Quando o táxi parou na porta do aeroporto, ela puxou algumas notas da carteira, sussurrando para o motorista que ele podia ficar com o troco. Teve e impressão de ouvi-lo gritar algo enquanto corria para o saguão, mas não soube dizer se era um agradecimento pelo dinheiro a mais, ou um xingamento pelo dinheiro a menos. Não prestara atenção nas notas que tirara da carteira.
Caminhou apressada por entre as pessoas tentando achar um rosto conhecido e que não tivesse olhos puxados.
Foi até o portão de embarque onde uma enorme família se despedia de um casal entre muito choro e abraços. Procurou garotos carregando cases de guitarra ou alguém que aparentasse ser músico, ou pelo menos estrangeiro, mas o máximo que viu foi uma família aparentemente australiana.
Pegou um pedaço de papel no bolso e leu o número do vôo que Joe havia lhe dado. O monitor com os vôos que estavam partindo alternava entre japonês e inglês. Esperou que ele mudasse para sua língua nativa, sem querer correr o risco de confundir os vôos por ainda não ser tão fluente na língua japonesa. Quando o monitor mudou para inglês, apertou o papel na mão e conferiu atentamente as aeronaves que estavam partindo e as que já haviam partido.
Achou finalmente o vôo que estava procurando e pôde sentir sua esperança se esvair. O avião havia decolado dez minutos antes. Ela havia perdido. Quebrara sua promessa. Deixara, mais uma vez, o amor de sua vida escapar por entre seus dedos. E dessa vez nem ela mesma seria capaz de se perdoar.
Conferiu o vôo mais uma vez, tentando desesperadamente encontrar algum erro, mas estava ali, bem na sua frente. Ele havia partido.

Saiu do aeroporto segurando as lágrimas. Que direito ela tinha de chorar? Mais uma vez havia estragado tudo. A culpa era sempre dela. Como podia deixá-lo escapar duas vezes? Todo o sofrimento de dois anos atrás não fora o bastante?
Enquanto esperava por outro táxi, sentiu algo molhado descer por sua bochecha. Enxugou o rosto, achando que fossem lágrimas, mas sentiu várias outras gotas em seu rosto e cabelo, percebeu então o céu escuro e a chuva que caiu tão de repente que ela mal teve tempo de procurar por um local coberto.
Apertou o sobretudo contra o corpo e estendeu a mão para um táxi que estava passando. Agradeceu por ele estar vazio, já estava prestes a explodir em lágrimas e se recusava a fazer isso no meio da rua e ainda debaixo de chuva. Deu o endereço para o taxista e deitou a cabeça no encosto, desejando poder apagar aquele dia para sempre.
Deixou a mente vagar pelas lembranças do dia anterior e de como havia sido ter Joe novamente para si. Depois da entrevista dos garotos na rádio, os cinco haviam saído para passear por Tókio. Visitaram um shopping, o parque perto do hotel deles e, para fechar o dia, Joe havia preparado um jantar à luz de velas em sua suíte.
Fora naquele quarto, naquela cama, onde eles haviam finalmente se reencontrado. Fora ali que ela prometera que o iria para o aeroporto se despedir uma última vez. E agora eles estavam sozinhos novamente, ele havia ido embora e era tudo culpa dela. Como conseguira ferrar tudo mais uma vez?
Sentiu o carro parar e abriu os olhos, reparando que estava na esquina do apartamento, mas um enorme engarrafamento impedia o táxi de chegar até a frente do prédio. Analisou a chuva e a distância até a portaria e deu de ombros, o que mais podia estragar um dia já arruinado?
Andou o mais rápido que pôde, tomando cuidado por causa do salto alto e as poças de água que se formavam na calçada. A pasta protegia parcialmente o rosto e os cabelos, mas o resto da roupa já estava muito molhada.
Depois do que pareceu uma eternidade, chegou até a portaria do prédio e entrou rapidamente, cumprimentando o porteiro e agradecendo por estar novamente protegida da chuva.
Somente ao chegar ao elevador, se deu conta que a corrida do táxi até o prédio havia afastado seus pensamentos do que acontecera no aeroporto. Por alguns minutos ela pensou que poderia ter sido um pesadelo, precisava apenas acordar para perceber que Joe ainda era seu. Mas a visão de Makedde saindo do apartamento a fez encarar a realidade. A amiga sorriu, um sorriso misterioso, mas tão revelador que chegava a assustar. Tentou sorrir de volta, mas não foi bem sucedida. 



- Às vezes eu acho que existe algum tipo de conexão psíquica maluca entre a sua mente e a dele. – Comentou. 


Demi arqueou a sobrancelha. Makedde não havia citado nomes, mas não fora mesmo necessário. Ela sempre sabia quem era ele


- Sério, ele deve entrar nos seus sonhos ou algo assim. É incrível como ele consegue decifrá-los tão perfeitamente. – Suspirou.
Antes que Demi pudesse perguntar do que diabos ela estava falando, Mak acenou e a porta do elevador se fechou.
Demi ficou alguns segundos parada, apenas ouvindo o barulho do elevador se movimentando enquanto tentava entender o que Makedde havia dito. De quem ela estava falando afinal? De Joe? Nem ao menos tivera a chance de lhe contar o que acontecera.
Desistiu de tentar entender algo que não fazia o menor sentido em sua cabeça. Caminhou cabisbaixa até a porta do apartamento e se assustou ao ouvir um barulho do lado de dentro. Girou a chave na fechadura e abriu bruscamente, tentando assustar quem quer que estivesse lá dentro.
Mas o susto foi todo seu.
Joe estava de pé, em frente a porta e apenas a alguns passos de distância. Seu sorriso revelava que aquela era exatamente a reação que ele estava esperando dela.
Largou a bolsa de qualquer jeito no chão e correu para os braços dele, sem se importar com o quão clichê aquela cena parecia. O abraçou com força e cruzou as pernas em volta da cintura dele, sentindo-o retribuir o abraço com a mesma intensidade. 



- Pensei que tivesse perdido você... – Sussurrou, enterrando o rosto no pescoço dele – de novo.
Joe beijou seus cabelos e segurou seu rosto, trazendo-o para perto do seu, olhando-a com firmeza. 



- Você nunca me perdeu e nem nunca vai perder. Não entendeu isso ainda?
Demi sorriu, quase sem conseguir acreditar que aquilo estava mesmo acontecendo. O pesadelo havia virado sonho em um piscar de olhos. Se estivesse mesmo dormindo, agora implorava para não ser acordada. 



- Não acredito que isso é real. – Sussurrou, selando os lábios nos dele repetidas vezes. – Pensei que tivesse estragado tudo novamente. Tentei sair da faculdade a tempo, corri o máximo que pude... 



- Shh. – Joe a silenciou com um selinho. Caminhou com ela ainda em seus braços até a porta e fechou, encostando o corpo da menina contra a parede. – Podemos não falar sobre isso? Ou melhor, podemos não falar sobre nada? - Sorriu, encostando a testa na dela. 



- Sim, sim, sim. – Concordou. – Mas preciso saber o que aconteceu. Como você chegou até aqui?
Joe rolou os olhos, achando graça na teimosia dela. 



- Atraso, overbooking, companhia aérea oferecendo hotel cinco estrelas até amanhã e, por último, Makedde. Precisa de mais alguma coisa? 



- Não. – Balançou a cabeça. – Só de você.
Joe riu. 



- Isso você já tem. 





Continua...

17 comentários:

  1. lindoooooooooooooooo !!! estouuu muito feliz om Jemi de novo !!!!

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  2. Ain my God, que PERFEIÇÅO ! Como você consegui mulher ? Ja falei que ti admiro ? Acho que ja, mas eu não mi canso falar ! Cara, tu é d+ eu quero autografo e um livro seu AGORA ! NOW ! To falando serio, é um capitulo mais perfeito o outro ! Enfim, Beijos da sua fãn numero 1 :*

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  3. Essa fic toda é perfeição!!! SOS Que incrivel jemi de volta *--------* Bjoooo!<3 Posta logo.

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  4. LINDOOOO *O* OMg, Jemi de volta! \o/ ~~todos pulam~~ haha Bom, eu to super curiosa e por favor, posta logo! Sua fic é perfeita, de verdade! *o* Beijemis <3

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  5. Melhor capitulo, de sempre! Posta logo!!!

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  6. AHHHHHHHHHHHHHHH PERFEITOOOOOOOOOOOO POSTA LOGO FALTA QUANTOS CAP ???? POSTAAAAAAA

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  7. Perfeição define :)
    MDS! Falta quantos caps pra acabar??
    Eu necessito do proximo cap

    Posta loogo! ;*

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  8. AHH quantos cap faltão?

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