domingo, 5 de agosto de 2012

Prólogo -One-


Quando você sofre uma grande desilusão, quando a coisa mais importante que você tem na vida é tirada de você, o mundo de repente para de fazer sentido, é como se ele parasse de girar e você não consegue mais respirar, você sabe que precisa, mas não consegue se lembrar como. E quando você tenta, é como se tudo dentro de você queimasse, uma dor inexplicável que faz você querer desistir, faz você pensar... “Eu não quero mais viver assim”. Mas você também não pode desistir, você precisa se manter forte porque tem pessoas que contam com você, que precisam de você, e então você faz de tudo pra se manter forte e parecer bem, mesmo quando está completamente morto por dentro.

Depois de um tempo você se acostuma a fingir que está bem, vai ficando mais fácil, e você vai sobrevivendo (não vivendo de verdade, apenas sobrevivendo) um dia de cada vez, esperando pelo momento em que aquela dor vai passar, esperando pelo dia em que você vai novamente Aprender a Respirar.

-One-


It's time to forget about the past
To wash away what happened last ♫♪

Todo mundo quer uma segunda chance. Uma segunda chance pra acertar a vida, pra não cometer novamente os mesmos erros do passado, pra fazer as coisas do jeito certo e seguro. Aquela era minha terceira chance, e eu não pretendia desperdiçá-la. Depois de ter o coração pisado duas vezes e ter jogado uma vida promissora pela janela você passa a ver o mundo de uma forma diferente, eu pelo menos via as coisas de uma nova perspectiva, estava finalmente pronta pra me focar no que era realmente importante. Uma nova cidade, um novo emprego, uma nova vida, era tudo que eu precisava. 
Tinha acabado de sair de uma entrevista de emprego, não tinha certeza se tinha me saído bem, mas tentava me manter confiante. Como estava calor aquela tarde, resolvi parar um pouco no caminho e tomar um sorvete antes de voltar pra casa, não lembrava quando tinha sido a ultima vez que parara pra apreciar a beleza da natureza e tomar um ar fresco, então resolvi me sentar um pouco no parque que tinha ali por perto e curtir um pouco o sol na minha pele.
Eu não era uma mulher de muita sorte, já tinha comprovado isso de várias maneiras diferentes e aquele dia não parecia que seria diferente, não havia me sentado nem há dois minutos quando uma bola de futebol dos meninos que jogavam ali no parque veio voando em minha direção tão depressa que nem a vi chegar e não tive tempo de desviar. Ela bateu direto na minha mão, me causando uma dor terrível pela velocidade e a força e ainda espalhando o sorvete de morango pela minha recém comprada blusa branca. 

__Desculpe senhora__ um dos meninos disse me encarando de olhos arregalados, parecia que estava esperando que eu fosse sacudi-lo pelos ombros ou dar-lhe uns tapas__ foi um acidente, sinto muito.
__Está tudo bem__ eu sorri para lhe acalmar, já estava acostumada a acidentes do tipo__ não se preocupe.
O garoto pegou a bola no chão e depois ficou me encarando distraído, esperei que ele me dissesse alguma coisa, quando então percebi que ele fitava minha blusa, o sorvete derretera deixando a blusa branca transparente e revelando meu sutiã rosa de renda.
__Perdeu alguma coisa aqui?__ eu disse agora irritada__ anda garoto, volta pros seus amigos vai.
__Ok__ ele concordou e saiu correndo, tropeçando nos próprios pés... Crianças. 

Oficialmente aquele não era mesmo meu dia. Levantei-me pra ir embora, antes que eu fosse atacada por um cachorro ou atropelada, o que era bem provável que acontecesse comigo, mas parei no lugar quando olhei na direção dos balanços do parque e vi uma garotinha em pé ali, não devia ter mais que cinco anos e olhava em volta assustada, chorando. Eu não tenho filhos, a vida não me deu a oportunidade de ter essa alegria, mas sempre adorei crianças, e ver aquela menininha chorando me partiu o coração, então muito calmamente eu caminhei até ela e me abaixei a sua frente. 

__Oi princesa__ eu falei baixinho pra não assustá-la ainda mais e sorri docemente__ porque você está chorando? Está machucada?
Ela balançou a cabeça timidamente, negando. Tinha os cabelos negros presos num rabo de cavalo com um chuchinha cor de rosa, combinando com o vestido fofo e lindos olhos cinzas, atentos.
__Qual o seu nome?__ eu perguntei.
__Manuela__ ela disse tão baixo que quase não escutei.
__Manuela__ eu sorri__ que nome bonito, parece um nome de princesa. O meu nome é Demi. Onde estão os seus pais?__ eu perguntei olhando em volta, não parecia que ninguém tinha perdido um filho por ali.
__Meu pai está em casa__ ela sussurrou baixinho.
__Você veio para praça sozinha?__ eu não achava possível, devia ter alguém com ela ali.
__Minha babá me trouxe__ respondeu passando as mãozinhas pelo rosto para limpar as lágrimas.
__E onde ela está agora?
__Ela foi embora, um homem feio apareceu e ela começou a conversar com ele__ explicou com uma vozinha manhosa__ ela disse para eu esperar aqui, mas não voltou mais. Eu quero ir pra casa.
__Ela deixou você sozinha aqui?__ eu disse indignada, que tipo de pessoa irresponsável deixaria uma criança tão nova sozinha desse jeito na rua?__ escuta princesa, sua casa é longe daqui? Você sabe onde fica?
__Sei__ ela concordou__, mas o papai disse que eu não devo andar na rua sozinha.
__Ele é um homem esperto__ eu sorri pra ela__ se você me disser onde fica sua casa, eu posso te levar pra lá, assim você não tem que voltar sozinha e desobedecer o seu pai. O que acha da ideia?
__Tudo bem__ ela concordou com um tímido sorriso.

Eu a peguei no colo, limpando as lágrimas do seu rostinho e ela me indicou a direção em que ficava sua casa. Enquanto caminhava tentei puxar assunto, ela era uma menina muito inteligente e me deixou completamente encantada. Enquanto olhava pra ela ficava imaginando como seria ter uma filha minha, eu sabia que nunca aconteceria, tinha perdido as esperanças a um tempo de ter uma família, porque pra isso era preciso de amor, e se tinha uma coisa que eu aprendi nesses últimos anos com as minhas desilusões é que amor verdadeiro não existe. 

__Então Manuela, quantos anos você tem?
__Cinco__ ela respondeu reforçando a resposta me mostrando os dedos da mão.
__Uh, já é uma mocinha__ sorri pra ela__ já está na escola?
__Sim__ ela concordou__ minha professora disse que eu sou a mais esperta. Assim como meu irmão.
__Você tem um irmão? Ele é fofo assim igual a você?
__O nome dele é Matthew, ele é mais velho que eu e chato.
__Os irmãos são sempre assim__ eu ri da resposta dela. 

O caminho do Parque até a casa de Manuela levou pelo menos dez minutos e quando ela me apontou sua casa eu fiquei boquiaberta. A casa, ou seria mais correto dizer “mansão”, ficava na área nobre do bairro e olhando de fora era simplesmente enorme. Nós seguimos por um caminho entre algumas árvores até alcançar a entrada, que era fechada com um enorme portão e tinha um segurança na porta, de terno, óculos escuros, e uma expressão nada amigável.
__Senhorita Jonas__ levei um segundo para compreender que ele falava com Manuela e não comigo.
__Oi Gordon__ a menina sorriu pra ele__ essa é minha amiga Demi.
__Oi__ ele disse sério.
__Eu encontrei a menina no Parque sozinha e vim devolvê-la aos pais__ expliquei ficando um pouco nervosa. Eu não era rica, nunca tinha visto um grandalhão daqueles assim de perto e podia apostar que meu antigo salário não pagava nem um copo usado numa casa como aquela.
__O senhor Jonas está em casa__ ele disse e destrancou o portão__ pode entrar, é só seguir direto.
__Obrigada.
Passei pelo portão e atravessei o jardim de entrada ainda carregando Manuela e simplesmente maravilhada com a beleza daquele lugar, a decoração do jardim era de muito bom gosto, com muitas flores e plantas exóticas. Era o tipo de lugar que você mora em seus sonhos loucos e não na vida real. Subi os degraus na entrada e toquei a campainha, trocando a menina de braço, pois ela era pesada e eu estava começando a ficar cansada, ouvi vozes lá dentro e esperei um tempinho até que alguém aparecesse para abrir a porta.

__Sua casa é muito bonita__ comentei com Manuela.
__A Clarissa não gosta, ela é diz que é horrível para limpar.
__Aposto que sim__ concordei, eu cobraria uma nota pra fazer faxina num lugar daquele, um dia não seria suficiente.
A porta finalmente se abriu, eu esperava ser atendida por uma empregada com aqueles vestidinhos e avental que agente vê nos filmes, parecia à cara daquele lugar, mas ao invés disso quem abriu a porta foi um homem. Ele devia ter uns trinta e poucos anos, os cabelos negros ondulados estavam molhados, ele vestia uma calça social preta, descalço e sem camisa, deixando a mostra um corpo musculoso que arranca facilmente suspiros, era um homem lindo e deduzi que fosse o pai de Manuela, a semelhança era inegável. Os olhos castanhos se estreitaram ao me ver.
__Manuela__ a menina se esticou na direção dele, que a segurou, a tirando do meu colo.
__Oi papai__ ela sorriu jogando os bracinhos em volta do pescoço dele.
__O que aconteceu? Cadê a Cláudia?__ e então ele me encarou confuso__ quem é você?
__É a minha amiga Demi__ Manuela respondeu antes que eu pudesse me explicar.
__Desculpe senhor, meu nome é Demi Lovato__ me apresentei__ eu estava no Parque e vi a sua filha sozinha lá chorando, eu fiquei com pena e quis ajudar. Ela me disse que a babá tinha a abandonado, então eu a trouxe para casa.
__Cláudia abandonou você?__ a fúria inundou seus olhos__ eu não acredito nisso, sabia que não devia ter aceitado contratar aquela mulher irresponsável.
__Por sorte nada de ruim aconteceu__ eu comentei.
__Graças a você, muito obrigado por tê-la ajudado__ ele disse__ não sei o que teria feito se algo acontecesse a ela.
__Foi um prazer ajudar, a sua filha é um encanto__ eu sorri acariciando o rosto da pequena.
__Posso fazer alguma coisa para agradecer?__ ele se ofereceu.
__Não precisa__ eu garanti__ o importante é que ela está bem.
Senti que os olhos dele me analisaram rapidamente, dos pés a cabeça, mas se demoraram mais do que devia nos meus seios. Olhei pra baixo e percebi que minha blusa ainda estava transparente e corei envergonhada.
__Eu tive um pequeno acidente__ expliquei__ com sorvete e uma bola... Longa história.
__Claro__ ele concordou desconcertado__ obrigada mais uma vez por ter ajudado a Manuela.
__Demi, quer ver a minha coleção de bonecas?__ Manuela perguntou sorridente__ papai me deu uma barbie nova no meu aniversário, ela é linda, tem até uma bolsa.
__Aposto que é linda sim, eu adoraria ver, mas tenho que ir embora__ infelizmente eu tinha que deixá-la, só tinha passado uns quinze minutos com ela, mas tinha me apegado à menina, ela era um amor e era difícil não se encantar__ foi um prazer te conhecer princesinha.
__Tudo bem__ ela fez uma carinha triste__ eu te mostro outro dia.
__Claro__ concordei mesmo sabendo que eu não voltaria a vê-la__ bem, eu vou indo.
__Tudo bem, e mais uma vez obrigada. 

Desviei o olhar da beleza desconcertante daquele homem e me virei para ir embora. Aquele era o tipo de homem que mamãe aprovaria pra mim, bonito e podre de rico, mas já fazia quase dois anos desde que eu tivera alguém em minha vida, foi a ultima decepção que me permiti ter e desde então eu descarto discretamente todos os pretendentes que minha mãe me arruma. Eu tentava convencê-la de que não precisava de um homem em minha vida para ser feliz, definitivamente eu estava melhor sem eles, mas ela nunca me ouvia mesmo, dizia que eu era jovem demais para ficar sozinha, e eu respondia que era jovem demais para ter o coração pisado mais de duas vezes e ela se calava por tempo, mas no fim das contas sempre voltávamos a mesma inútil discussão.
Demorou até que eu conseguisse pegar um táxi, mas a viagem de volta para casa foi rápida e dei graça a Deus quando passei pela porta, me jogando de qualquer jeito no sofá da sala. Comparada aquela enorme mansão, minha casa era bem pequena. Tinha apenas cinco cômodos. Um banheiro, uma cozinha, uma sala e dois quartos, um meu e um da minha mãe.
Não tínhamos dinheiro, éramos pessoas extremamente simples e tinha ficado pior depois do fracasso do meu noivado. Minha mãe estava tão feliz que eu me casaria, que insistiu que gastássemos o dinheiro da poupança que juntamos por tantos anos com os preparativos, ela disse que eu me casaria somente uma vez e que merecia um casamento de princesa. Eu fui estúpida o bastante para aceitar, comprei um vestido lindo e caro, gastei com salão de beleza, bufê e tudo que se tinha direito, para que no fim das contas, o idiota do meu noivo fugisse e me deixasse plantada na porta da igreja, sozinha e aos prantos.
Era suposto que eu deveria ter aprendido a lição depois da primeira vez, quando peguei meu outro noivo transando na nossa cama com minha melhor amiga, mas achei que um raio não caia duas vezes no mesmo lugar. Esse ditado é uma tremenda idiotice. Depois disso, minha vida começou a desandar totalmente, não havia reembolso para o dinheiro que gastei, eu estava tão acabada de tristeza que acabei esquecendo um pouco de viver e fui demitida do meu emprego, que era a única fonte de renda da nossa casa e tivemos que vender algumas coisas para arcar com certas despesas, até que alguns meses atrás, depois de tanto sofrimento eu finalmente resolvi acordar.
Minha mãe tentava me animar com encontros, dizendo que Chad e Alex, os dois homens que me enganaram não prestavam, mas que nem todos os homens eram assim, mas cada homem que eu conhecia só fazia eu me sentir pior.
Foi ai que pensei que não deveria deixar que um homem destruísse assim a minha vida, eu era superior, era melhor que isso, não dependia de homem nenhum para viver, e resolvi que daria a volta por cima. Vendi nossa antiga casa, que era um pouco grande para apenas nós duas e gerava uma despesa desnecessária. Mudamos de cidade, pois eu queria me afastar das más lembranças que a antiga cidade me trazia e compramos uma casa menor, perfeita para nós, depois de arrumarmos tudo, acabarmos com a mudança e estarmos instaladas, resolvi ir atrás de um novo emprego, essa era a parte mais difícil, mas eu não perderia as esperanças. Ia provar que eu era capaz de viver muito bem sozinha e prometi a mim mesma que nunca mais, homem nenhum pisaria em mim. Eu estava indo bem até agora.

__Querida, você já chegou__ minha mãe sorriu pra mim e se sentou ao meu lado no sofá, puxando minhas pernas para cima do seu colo e tirando minhas sandálias de salto, começando uma boa massagem. Ela sabia bem como me fazer relaxar__ como foi a entrevista de emprego?
__Não sei mãe, acho que não fui muito bem__ confessei um pouco frustrada, era a segunda entrevista que eu fazia, mal tinha começado, não ia desanimar__ de qualquer forma, acho que aquele trabalho ainda não era o certo pra mim, vou continuar procurando, a senhora vai ver, logo, logo, estarei empregada e as coisas vão melhorar para nós.
__Tudo bem querida__ ela sorriu docemente__ sei que você vai conseguir.
Minha mãe era minha melhor amiga, embora ela não me entendesse completamente e não aceitasse a minha decisão de continuar sozinha, ela sempre me dava apoio quando eu precisava, me consolava quando eu estava triste e me incentivava em minhas aventuras, por mais loucas que fossem. Ela era a única com quem eu podia realmente contar e não queria decepcioná-la de novo.
__Eu sinto que algo incrível vai acontecer mãe__ a fitei profundamente__ Minha vida vai mudar, eu tenho certeza.
Eu tinha essa sensação de que algo incrível me esperava, eu só precisava descobrir o que era. 
Fim do Capítulo

Ps: se tiver pelo menos 5 comentários a noite eu posto o 2º cap.

17 comentários:

  1. MDS, AMEI! *-*
    Tratem de comentar ok? Eu preciso do 2 cap. :)

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  2. Cara, como tu mi deixa nesse estado ???
    Eu to ruendo minhas unhas de ansiedade !
    cara, brigada por postar :D
    Beijemi :*

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  3. Ei amore você pode mi dar o link do blog da Cacau ???
    Beijos :* Amo seu blog :D

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  4. Assim, da para parar de ser perfeita? Acho que se não postar logo sou capaz de fazer loucuras pela ansiedade. Então, por favor, poste!!
    Beijos

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  5. AI MEU DEUS! Caraca que perfeição! *o* Posta logo, por favor! Vou morrer de ansiedade aqui! Sério, como tão lindo e maravilhoso? Esse capítulo foi incrível!
    Beijos :)

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  6. Posta logo flor.gente comenta ai ne por favor
    essa linda tem que postar hj ainda.amei o cap

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  7. Posta posta posta posta!!! :)) Lindo cap. <3

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