segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Prólogo

Vicenza, Itália – Dez Anos Atrás


A noite caíra assustadora... O céu estava nublado, encoberto pelas nuvens. O vento soprava do lado de fora e a lua cheia brilhava no céu encoberto. Dentro da casa, o homem arrastava seu filho pelo braço pelos corredores, as luzes estavam baixas e o lugar silencioso, exceto pelo choro do menino que lutava pra se livrar das mãos do pai.

_Pai, por favor, não_ ele implorava com lágrimas nos olhos.

_Filho, sabe que não tenho escolha, estou fazendo isso pro seu bem_ o homem disse o segurando com mais força.

_Por favor pai, não me tranque de novo, não quero ficar sozinho_ o menino disse com desespero.

O homem parou de andar e se virou pra fitar o rosto do filho, tão delicado e tristonho, os olhos castanhos demonstravam claramente seu desespero, era de cortar o coração. O homem segurou o rosto do filho entre as mãos.

_Olhe pra mim_ ele ordenou_ você não quer machucar ninguém, quer?

_Não_ o menino  sacudiu a cabeça.

_Então fique quieto e venha comigo, já esta quase na hora.


O homem voltou a puxar o menino pelo braço, que não conseguia parar de chorar. Os dois desceram apressados um enorme lance de escadas e o homem soltou o filho por um instante pra destrancar a porta de ferro.
Ele arrastou o menino pra dentro do quarto escuro e o sentou no chão de pedra frio.

21 ago

_Fique quietinho ok?_ ele pediu_ vai acabar logo.

_Pai, por favor_ ele choramingou.

_Shh... Vai ficar tudo bem_ sorriu tentando encorajá-lo.

Ele pegou a corrente que estava no chão... Ela estava presa à parede de concreto e era feita de prata reforçada. Prendeu a primeira no braço esquerdo, depois no direito e em seguida nas duas pernas, mantendo o menino acorrentado a parede.
 

_Não me deixe aqui pai_ implorou_ não quero passar por aquilo de novo.

_Desculpe filho, mais eu preciso_ se levantou_ esta a hora... Volto amanhã quando tiver acabado.

_Não... Pai_ o menino se desmanchou em lágrimas.
 

Lhe partia o coração ter de deixar o filho daquele jeito, mais ele não tinha escolha. Assim, com pesar, ele saiu do quarto escuro, trancando a porta atrás de si e subindo novamente as escadas.
 

_No... Pai_ ele pode ouvir os gritos do filho atrás de si e suspirou_ PAI... POR FAVOR.
 

O homem se sentou no sofá, abaixando a cabeça e escondendo o rosto nas mãos, sem conseguir conter as lágrimas conforme os gritos do menino ficavam mais altos, desesperados e agonizantes. Ele gostaria de poder fazer algo pra ajudá-lo... Qualquer coisa para não ter de vê-lo sofrer, mais infelizmente não havia nada que pudesse fazer... Só esperar que acabasse.

_PAI_ o grito ecoou quebrando o silencio.
 

O homem ergueu lentamente os olhos pra fitar a lua cheia e brilhante no céu. Seu coração parou junto com os gritos do filho e só o que pode ouvir foi um uivo alto e aterrorizante.
A Fera estava de volta.


Continua...

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