quarta-feira, 4 de julho de 2012

Capítulo 11

Abriu os olhos devagar se acostumando com a pequena claridade que entrava pela cortina fechada e sentiu uma respiração tranqüila batendo em seu pescoço, virou um pouco o rosto e encontrou o de Joe a milímetros do seu. O queixo dele estava encostado em seu ombro e sua boca estava um pouco aberta fazendo com que o hálito dele agora batesse na boca da menina. Sorriu sozinha analisando o rosto sereno dele e chegando a conclusão de que ela não ia cansar nunca de ficar o olhando dormir.
Fazia uma semana em que aquela cena se repetia, exatos sete dias em que ela acordava com Joe ao seu lado. Algumas vezes suas pernas estavam intercaladas, outras ele a abraçava pela cintura e no dia anterior ao acordar se deu conta que estavam dormindo de conchinha.
Passou seu nariz pelo do menino num carinho e riu baixinho ao perceber que ele nem se abalara. Ela adorava o sono pesado de Joe, ela podia fazer o barulho que fosse e ele nunca acordava, sempre continuava com sua feição calma e inatingível. Deu um beijo rápido na testa dele e se levantou indo até o banheiro para fazer sua higiene matinal, antes que pudesse fechar a porta ouviu o típico barulho que as patas de Harte faziam no chão do loft. Riu vendo o cachorro entrar animado no banheiro e encostou a porta.

- Hei, bom dia! - Falou sorrindo para o rapaz dentro do elevador.


- Bom dia, Demi. – Mark retribuiu o sorriso e fez um pequeno aceno com a cabeça. – Então alguém naquela casa acorda cedo. – Comentou simpático fazendo a menina rir.


- Alguém precisa ser responsável, né? – Ela piscou abrindo a porta do elevador.


- Quer uma carona pra algum lugar? – Ofereceu indo até o carro.


- Não precisa, obrigado. Tenha um bom dia! – Falou antes de afastar e sair para a rua pouco movimentada.


Sábado antes das nove da manhã, não era de se estranhar a falta de movimento. A menina caminhou pela calçada já podendo ver a loja da Starbucks mais um pouco à frente e sorriu agradecendo mentalmente às milhares de lojas espalhadas pela cidade.
Entrou no estabelecimento sentindo o cheiro de café entrar em suas narinas e foi até o balcão de atendimento pedindo dois chocolates quentes e dois muffins para viagem. Olhou rapidamente o relógio que marcava oito e trinta e cinco e rezou para que Joe não acordasse antes dela chegar em casa, esquecera completamente de deixar um bilhete avisando que tinha ido até a Starbucks e não ia levar celular.
Menos de dez minutos depois ela já estava entrando novamente no loft e, a julgar pelo silêncio, Joe continuava dormindo. Deixou as duas pequenas sacolas no balcão da cozinha e subiu as escadas em silêncio sendo acompanhada por Harte.
Joe estava deitado de bruços abraçando o travesseiro de Demi, seu rosto estava um pouco afundado no colchão e seu cabelo caia levemente sobre seus olhos. A menina se agachou ao lado da cama e o encarou por alguns segundos pensando em alguma forma de acordá-lo. Passou levemente o dedo indicador pela testa dele e depois desceu até seu nariz, repetindo a ação algumas vezes. Quando ela já estava pensando em alguma forma menos carinhosa, viu os olhos de Joe se abrirem preguiçosamente e a encararem. 


- Bom dia. – Falou baixo afastando o cabelo do menino que caia em seu rosto.


- Que horas são? – Perguntou com a voz arrastada deixando que seus olhos se fechassem novamente.


- Quase nove. – Demi respondeu sentando na beirada da cama. – E antes que você reclame que hoje é sábado, se lembre que você marcou com os meninos. – Sorriu sabendo que Joe ia começar um discurso sobre como sábados e domingos foram feitos para se descansar e acordar tarde. Geralmente o humor dele não era dos melhores pela manhã, e ela sabia disso, mas incrivelmente essa regra nunca funcionou para ela. Joe nunca fora mal educado com ela pela manhã e nunca lhe negou um sorriso de bom dia.
Abraçou os joelhos observando o céu claro do lado de fora da janela, não queria ficar em casa o dia todo. Talvez acompanhasse Joe até a casa queChris e Nick dividiam, um dia com os meninos era sempre agradável e divertido. Sentiu o colchão se mover e segundos depois Joe depositar um beijo rápido em sua nuca descoberta.


- Você costuma ser mais tagarela quando acorda. – Ele riu se levantando. Demi deu de ombros levemente.


- Posso ir com você até a casa do Chris e do Nick? – Perguntou observando o menino entrar no banheiro.


- Claro que pode. 


- Ok. Tem Starbucks na cozinha. – Avisou se levantando e descendo as escadas.


- Por isso que eu te amo! – Ouviu o menino gritar e riu sozinha começando a arrumar a mesa da cozinha.



# Flashback (8 anos antes)

Demi caminhava pela rua movimentava observando as outras crianças que brincavam por ali. Alguns garotos jogavam bola, algumas meninas brincavam de boneca e as crianças mais novas se divertiam no parquinho que havia na praça.
Sorriu para uma senhora que podava algumas plantas em sua cerca viva e entrou no jardim da casa vizinha atravessando-o e indo até os fundos. Ouviu algumas risadas e franziu o cenho sem reconhecê-las. 


- Cuidado! – Ouviu alguém gritar e se encolheu rapidamente sentindo uma bola passar muito perto de sua cabeça.


- Desculpa. – Um garoto loiro com grandes olhos verdes falou sem graça. Ela apenas sorriu levemente deixando claro que estava tudo bem. Quem eram aqueles afinal?


- Ei, pequena! – Joe surgiu sorrindo atrás dela com uma bola na mão. Deu um beijo na testa da menina e bagunçou seus cabelos lhe arrancando uma careta.


- Não sabia que você estava com seus amigos. – Falou lançando um olhar rápido para os garotos que faziam brincadeiras bobas entre si.


- É, chamei para eles passarem o dia por aqui. – Respondeu sorrindo. – Se quiser pode assistir o mestre jogando! – Um sorriso convencido tomou conta do rosto do garoto e a menina riu.


- Hm... acho que vou pra casa. – Mordeu o lábio em dúvida. Não queria ficar em casa sozinha. Desde que sua mãe morrera, estava acostumada a passar seus finais de semana e tempo livre na casa de Joe.


- Não precisa ir pra casa, fica aqui. Minha mãe tá aí na cozinha e daqui a pouco vamos jogar vídeo game. Você pode mostrar pra eles que garotas também sabem jogar. – Sorriu.


- Vem logo, Jonas! – Um dos meninos chamou e Joe jogou a bola pra ele.


- Tudo bem, vou falar com a sua mãe. – Concordou vendo o garoto se afastar e se virou entrando pela porta do fundo. – Oi, tia! – Falou vendo a mulher cozinhar alguma coisa que cheirava muito bem.


- Bom dia, minha princesa. – Cory falou de uma forma maternal e lhe deu um beijo no topo da cabeça. – Tudo bem?


- Tudo sim. – Respondeu sentando-se em um dos bancos que ficavam em volta da bancada da cozinha.


- Seu pai não tá em casa? – Sua voz tinha um tom de preocupação. A menina negou balançando a cabeça. – Sabe onde ele foi? – Perguntou já sabendo a resposta e Demi deu de ombros brincando com uma tampinha.


A mulher voltou a atenção para as panelas no forno lançando, a todo o momento, olhares para a menina que se distraia fazendo desenhos abstratos na bancada enquanto ouvia as risadas dos garotos do lado de fora da casa.

Seus pés balançavam inquietos suspensos no ar por causa do banco alto enquanto seus dedos se enrolavam e desenrolavam em uma mecha de cabelo. Os quatro garotos entraram sorridentes na cozinha, Joe veio por ultimo segurando a bola nos braços. Demi observou seus rostos e camisas suados e a excitação estampada em seus olhos.


- Fiz quatro gols, mereço um abraço? – Joe perguntou brincalhão já abraçando a menina que fez careta e deu alguns tapas no braço dele.


- Sai, Joe, que nojo! – Falou afastando o menino pelo peito.


- Que traíra, cara! Só porque eu to suado. – Ele fez bico recebendo um olhar sem graça da menina. Não ficava a vontade na frente dos amigos deJoe que os encaravam sorrindo.


- Garotos, vão tomar banho e daqui a pouco o almoço está pronto. – Cory falou passando a mão pela cabeça do filho e sorriu para os outros garotos que concordaram saindo da cozinha. - Você não é muito fã dos amigos do Joe. – A mulher afirmou sorrindo para a sobrinha.


- Não conheço. – Deu de ombros.


- Mesmo se conhecesse, Dem. – Piscou para a garota. – Você não é muito fã de ninguém que roube a atenção do Joe de você.


- Não sou egoísta. – Se defendeu.


- Não é egoísmo, meu anjo. Você e Joe são grudados desde que você nasceu praticamente. Vocês cresceram em um mundo impenetrável e que ninguém nunca foi capaz de entender, e com a chegada da adolescência do Joe a coisas podem parecer um pouco diferentes.


- Elas estão diferentes. – Afirmou entre dentes. 


- Não estão. – A mulher riu baixo. – Os olhos do Joe podem mudar de direção milhares de vezes e ele pode, por vezes, parecer distante de você, mas a atenção dele vai ser sempre toda sua e tempo algum vai mudar isso.

A menina se mexeu desconfortável na poltrona bege enquanto observava os quatro garotos sentados no chão da sala jogando vídeo game e fazendo piadas bobas que a garota podia jurar ser em outra língua. Meninos são estranhos quando estão perto de amigos, pensou, olhando Joe dar um pedala em um garoto moreno que até onde ela se lembrava chamava-se Derek.
Eles já estavam ali há quase duas horas e Demi podia jurar que se não fosse pelo barulho que faziam, já teria caído no sono.
Joe tinha a chamado para jogar no começo, mas ela negara alegando estar com um pouco de dor de cabeça e desde então ele parecia ter esquecido da presença dela na sala. Cory passava por ali algumas vezes e lançava um olhar de piedade para a sobrinha que apenas sorria tentando fazê-la acreditar que estava realmente se divertindo.
- Ganhamos! – Algum dos meninos gritou e ela se deu conta de que estava adormecendo.
Os quatro garotos se levantaram desligando o vídeo game e subiram as escadas entre risadas. Demi suspirou audivelmente e abraçou os joelhos enterrando a cabeça entre os braços.
"Você não é muito fã de ninguém que roube a atenção do Joe de você." As palavras da tia ecoaram em sua cabeça. Ela não queria ser egoísta, se sentia mal por estar com raiva dos amigos de Joe, mas ela não conseguia evitar o sentimento. Estava com raiva dele também, por estar entrando tão rápido na adolescência e por tê-la trocado por três garotos bobos que falavam besteiras e faziam brincadeiras idiotas.
Levantou-se da poltrona e foi até a cozinha encontrando a tia sentada em um dos bancos lendo uma revista enquanto um cheiro de bolo de chocolate tomava conta da cozinha.


- Acho que vou pra casa. – Falou encostando-se ao balcão. A mulher a olhou por alguns segundos.


- Vou ter uma conversinha com Joe quando os garotos forem embora. – Falou um pouco irritada.


- Não se preocupe com isso, tia. A culpa não é dele. – Deu de ombros. – Ele está se divertindo, isso é o que importa. Eu vou lá em cima me despedir. – Sorriu rapidamente para a mulher e ia se retirando da cozinha quando a ouviu falar novamente.


- Você sabe que essa casa está sempre aberta pra você, não sabe? Eu e o Joe estamos aqui em qualquer momento que você precisar. – Cory sorriu de uma forma materna.


- Sei que sim. Obrigada, tia. – Sorriu saindo da cozinha e subindo as escadas rapidamente. No corredor do andar de cima ela pôde ouvir a voz dos meninos dentro do quarto de Joe.


- E você vai trocar ela por uma menina de dez anos? – Ela parou de caminhar sentindo as mãos gelarem. "Não sou eu. Não sou eu. Não sou eu.", implorou baixinho.


- Vocês não conhecem a Demi. – Joe defendeu. A menina olhou a porta do quarto entreaberta ouvindo sua própria consciência a mandar ir embora, mas suas pernas não obedeciam o comando.


- A gente conhece a Katlin. – Derek respondeu. – E cara, ela é muito bonita.


- E gosta da gente! – Jake riu. – Essa Demi parece que nos odiou. – Risos. – Vai logo, Jonas! Escolhe; Katlin ou Demi? – A menina sentiu o coração parando e de repente aquele corredor parecia sufocante demais para ela.


- Dem? – A voz de Cory atrás dela a sobressaltou e tudo que ela conseguiu ouvir foi o grito animado dos meninos dentro do quarto. "Katlin", ela ouviu a voz de Joe em seus pensamentos. – Demi? – Sua tia a chamou novamente e só então ela percebeu que estava encostada na parede com os olhos fechados.


Olhou a tia rapidamente e, sem falar nada, saiu apressada da casa.
Nos primeiros 20 metros ela sentia as pernas caminharem apressadamente, depois tudo que ela sentia era o vento bater com força em seu rosto e as lágrimas salgadas chegarem até sua boca. Ela estava correndo com a visão completamente embaçada e tropeçando vez ou outra em seus próprios pés.
Entrou em casa sem se importar se seu pai estava lá ou não e subiu para o quarto batendo a porta com força e jogando no chão alguns bichos de pelúcia que estavam em cima de sua cama. Deitou abraçando um travesseiro e colocando o outro no rosto para abafar os soluços.

Ouviu a porta do quarto ser aberta, mas não tinha forças pra se virar e ver quem era, seu peito ainda subia e descia e alguns soluços escapavam por entre seus lábios. Seus olhos doíam e as lágrimas insistiam em cair, mesmo que eles permanecessem abertos.
Sentiu alguém se aproximar da cama e segundos depois ela afundar ao seu lado. Um braço envolveu sua cintura enquanto ela sentia uma respiração quente e descompassada bater em seu pescoço e o choro silencioso de Joe que fez seu coração apertar. Ficou em silêncio o ouvindo soluçar baixinho perto do seu ouvido e quase foi capaz de sentir a culpa que parecia consumir o garoto aos poucos.


- Desculpa. – Deixou escapar baixo enquanto ainda lutava para controlar o choro. Demi fechou os olhos ainda muda. – Eu agi como um idiota hoje, eu te deixei de lado e magoei você. Me desculpe.
A menina desceu uma das mãos até a própria cintura e tocou as costas da mão de Joe sentindo os braços dele a apertarem mais contra si como se daquela forma ele pudesse impedir que ela fugisse. Sorriu levemente se achando estúpida por se sentir tão bem apenas pelo fato de ter Joe perto dela.


- E eu também não escolhi a Katlin ao invés de você. – Completou fazendo a menina se mexer um pouco desconfortável por tocar naquele assunto. – Você ainda é a garota mais legal que eu conheço e a que eu mais gosto também. Não trocaria você nem por dez Katlin's, pode apostar. – Riu levemente.
Demi ficou em silêncio de olhos fechados deixando que as palavras dele ecoassem em sua cabeça. Ela acreditava nele, sempre acreditara... ele não mentiria pra ela.
Sentiu Joe brincar com os dedos de sua mão enquanto sua respiração, que aos poucos ficava mais calma, batia demoradamente em seu pescoço lhe trazendo uma sensação desconhecida e engraçada.
Virou-se de frente pra o menino deixando seus rostos próximos, sobre o mesmo travesseiro. Observou seu rosto calmo e seus olhos que pareciam brilhar por causa das lágrimas que ainda estavam por ali. Sentiu ele passar o polegar por seu rosto enxugando uma lágrima que nem percebera que tinha caído e sua pele ardeu levemente seguindo o movimento do dedo dele. Fechou os olhos sentindo o olhar dele praticamente perfurar sua pele num misto de curiosidade e dúvida. 


- Me desculpe. – Ele repetiu. – Dói em mim também. – Falou mais baixo fazendo-a abrir os olhos sem entender. Joe sorriu levemente. – Ver você sofrer, me faz sofrer também.


Demi reprimiu um riso achando graça do que ele dissera, mas depois se lembrou das vezes que o vira chorar e sentira o peito incomodar com uma dor estranha.


- Por quê? – Sua voz saiu num sussurro.

Joe deu de ombros levemente.

- Não sei. – Sorriu lembrando-se de uma coisa boba que tinha pensado alguns dias antes. – Só tenho uma teoria.
A menina o olhou sentindo a excitação em seus olhos entregarem sua curiosidade.


- Acho que é como se você fosse uma parte de mim, como um pedaço faltando. – Riu. – Ou algum tipo de extensão. – Pensou em voz alta.


- Isso é um pouco surreal, Joe. – Demi riu levemente.


- Eu sei. Acho que são aqueles filmes mela cueca que você me faz assistir. – Soltou uma risada nasalada. – Mas isso não importa. Fiz você sorrir, você me desculpou, não é? – Seus olhos brilharam e a menina riu baixo concordando.


- Não faz de novo. – Pediu o olhando. 


- Não vou. Prometo. – Beijou a bochecha da menina vendo-a corar levemente e a abraçou sentindo-a repousar a cabeça em seu peito e seus braços pequenos passarem por sua cintura deixando seus corpos perfeitamente juntos e acomodados. 



# End of flashback

A cozinha havia caído em um incomodo silêncio que fazia Joe passar as mãos pelos cabelos em sinal de nervoso. Os outros três garotos lançavam-lhe olhares surpresos a todo o momento e ele só queria sair daquele ambiente ou pelo menos que Demi voltasse logo e quebrasse aquele clima.
Estavam todos na casa de Nick e Chris, até Harte fora pego de surpresa e levado para o ensaio dos garotos. Estavam todos tranqüilamente conversando na cozinha, até Demi dizer que ia ao banheiro e se retirar.


- Cara, vocês estão diferentes. – Kevin comentou vendo Nick e Chris concordarem silenciosamente. Joe o olhou sem entender.


- Vocês parecem mais... ligados um ao outro. – Nick fez uma careta. – Achei que isso fosse impossível. – Riu incrédulo.


- Estamos normais. – Joe deu de ombros. Ainda não havia contado aos amigos que tinha transado com Demi, mas notara os olhares estranhos que vinha recebendo. Por Deus, ele mudara tanto assim só porque havia transado com ela?


- Parecem mais íntimos. – Chris explicou de uma forma mais clara.

Joe engoliu em seco vendo que não havia mais para onde fugir. Onde Demi havia se enfiado? Não podia voltar logo? Respirou fundo encarando os amigos e se ajeitou no banco achando-o de alguma forma pequeno demais.

- Nós transamos. – Falou baixo encarando a mesa branca.


- O QUÊ? – Nick gritou recebendo um olhar feio de Joe. – Cara isso é... ótimo. Acho. – Falou sorrindo. – Quer dizer, vocês se gostam e tudo o mais.


- Porque não falou antes? Aposto que não rolou ontem pela primeira vez. – Kevin o olhou falando baixo.


- Sei lá... Parece estranho, mesmo não sendo. Foi incrível. – Joe sorriu meio bobo. – No começo não pareceu muito certo, mas as coisas foram acontecendo e quando eu percebi já havia acontecido e foi a melhor transa da minha vida. – Balançou a cabeça um pouco sem graça. – Foi diferente.


- Foi com amor. – Chris riu e Nick fez uma cara gay apertando suas bochechas.


- Eu já tinha feito sexo com amor antes, cara. Mas mesmo assim... com a Demi foi inexplicável. – Se levantou caminhando até a geladeira e pegando uma lata de cerveja.


- Ela tá vindo. – Kevin alertou pigarreando alto.


- Cara, eu particularmente acho que a gente deve trabalhar naquela musica que o Kevin escreveu, porque sem duvidas ela ficou incrível e os arranjos podem ficar muito fodas. – Nick falou rapidamente fazendo todos os meninos prenderem o riso quando Demi entrou na cozinha novamente. 


- Ainda falando sobre essa tal musica? – Demi perguntou sorrindo e sentando na bancada.


- É, ainda... – Joe sorriu para os amigos e deu um tapinha no joelho dela para que pudesse encaixar sua cintura entre as pernas dela.


- Quem quer assistir filme? – Chris perguntou já levantando a mão e os meninos levantaram também lançando um olhar de dúvida para a menina.


- Ah! – Ela fez uma cara de compreensão e levantou o braço também. – Achei que vocês fossem ensaiar. – Explicou.


- Mais? – Nick a olhou. – Por hoje já deu. – Falou enfiando um cookie na boca. – Eu voto em Ghostbusters! Falei primeiro. Ganhei! – Gritou correndo pra sala.


- Ei, eu quero Star Wars! – Chris reclamou correndo atrás dele e Kevin balançou a cabeça rindo e indo atrás dos amigos.


Demi riu baixo achando graça do jeito infantil dos garotos.


- Seus amigos são anormais. – Falou dando um beijo rápido na nuca de Joe.


- É, acho que eu sou o único equilibrado por aqui. – Ele riu virando-se de frente pra ela e recebendo um tapinha fraco no braço. Os latidos de Harte vieram seguidos de risadas escandalosas dos meninos e eles sorriram olhando para a porta da cozinha.


- Viu? – Ele a olhou fazendo uma cara sapeca e Demi riu. – Vamos ver filme? – Falou passando os braços pela cintura dela.


- Hm... você não tem nada pra me falar? – Demi sorriu o abraçando pelo pescoço. Joe arqueou a sobrancelha sem entender. – Joe, quando eu saí da cozinha os meninos ficavam nos lançando olhares nada discretos, e quando eu voltei, eles nem pareciam mais os mesmos. – Explicou.
Joe respirou fundo fazendo uma careta. Ela tinha mesmo que ser tão perceptiva? 


- Eu contei pra eles sobre a gente, er... sobre as coisas que aconteceram ultimamente. Não sabia que você não queria falar nada. Eles são meus amigos. – Deu de ombros.


- Não to chateada por você ter contado, Joe. – Ela riu baixo. – Mas você não precisava ter esperado eu sair pra contar. – Completou brincando com a corrente que ele usava.


- Não esperei você sair, eu não planejava falar nada. Mas eles já tinham percebido que a gente tava... diferente. 


- A gente tá diferente? – Ela o olhou sem entender. 


- Estamos? – Joe riu baixo. – Sei lá, os caras são anormais, certo? – A olhou.


- Hm... ok. Acho que sim. – Falou em duvida. – Vamos ver filme então. – Falou um pouco mais animada.


- Vamos? – Joe brincou roubando um selinho dela e lhe dando um beijo de esquimó.


- Hm... – Ela sorriu encostando os lábios nos dele. – Aqui tá melhor. – Sentiu os braços de Joe se apertarem em sua cintura e a língua dele fazer o contorno de seus lábios lentamente. Abriu a boca deixando que a língua dele encontrasse a sua e sentiu vontade de rir quando seu estômago revirou numa sensação engraçada. Que coisa boba de adolescente!


- Parem de se pegar na cozinha e venham logo! O filme já começou. – Nick gritou.


- Também acho! – A voz de Kevin saiu engraçada.


- Fiquem por ai que sobra mais pipoca! – Chris gritou agarrado ao balde de pipoca e os dois riram sem partir o beijo.

Joe puxou Demi pela cintura fazendo a garota ficar de pé e partiu o beijo sorrindo e lhe dando vários selinhos.

- Melhor a gente ir ou o próximo a gritar vai ser o Harte. – Falou fazendo careta e arrancando uma gargalhada da menina.


- Vamos. – Ela deu um ultimo selinho no menino e sentiu ele pegar em sua mão e entrelaçar seus dedos enquanto saiam da cozinha. 





Continua...

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