sexta-feira, 27 de julho de 2012

Capítulo 23

Demi recostou-se na árvore e observou o homem brincar com a criança, correndo pela grama e pegando-o no colo. O sorriso no rosto dos dois a fez rir, a conexão entre eles era quase palpável, conseguiam se entender apenas com um simples olhar.
A criança soltou uma gargalhada antes de ser levantado no ar e abrir os braços, fingindo ser um avião. Adorava a facilidade que crianças tinham para se divertir, não era necessário muito esforço para fazê-las sorrir.
Uma mulher se aproximou dos dois e o homem entregou o menino nos braços dela, dando-lhe um beijo na bochecha. Trocaram algumas palavras antes de ela virar para Demi e acenar, afastando-se com a criança no colo.


- Como você faz para se dar tão bem com crianças? – Perguntou, observando o homem sentar ao seu lado.


- É o meu charme. – Ele sorriu de lado, fazendo-a rir. – Desculpe não ter ficado muito com você, Susie disse que o médico se atrasou.


- Não tem problema. Gosto de ver você brincar com o Charlie. Às vezes ele parece mais seu filho do que seu sobrinho. – Sorriu, compreensiva.
Ele aproximou seu rosto do dela e selou seus lábios, acariciando as bochechas quentes da menina. Percebeu que ela estava sorrindo e aproveitou para aprofundar o beijo, sentindo-a corresponder com a mesma empolgação.
Demi partiu o beijo e sentiu os lábios de Jared acariciarem sua bochecha. As mãos dele seguravam seu rosto com cuidado e seu hálito quente cheirava a canela. Encostou a cabeça no ombro dele e suspirou, fechando os olhos por alguns instantes. Os dedos dele se entrelaçaram aos seus e ela observou suas mãos juntas, a dele muito maior que a sua.
Havia conhecido Jared na festa que fora com Makedde alguns meses antes. A principio não notou o interesse dele, apenas achou que fosse mais um cara apaixonado por Makedde vindo lhe pedir ajuda, mas aos poucos ele foi se aproximando de Demi, tão sutil que quando ela percebeu já estava encantada por ele.
Encantador. Era o que ele era.
Era isso que ela sentia falta em muitos homens. A delicadeza, a preocupação com os sentimentos da garota. E esse era Jared. Sempre preocupado e sutil. Sempre mostrando o quanto se importava com ela.
Por que então seu coração insistia em negá-lo?


- Recebi a resposta do curso. – Comentou.
Jared a olhou, arqueando a sobrancelha. Demi sorriu, entregando a resposta.


- Consegui a bolsa. – Jared a abraçou e beijou seus lábios brevemente.


- Sabia que você iria conseguir.
A menina engoliu em seco, lembrando a última vez que havia contado sobre uma bolsa de estudos no Japão. Reações tão diferentes, mas seus sentimentos ainda eram os mesmos.


- Makedde também conseguiu. Vou ter que agüentá-la por mais um ano. – Rolou os olhos, fingindo insatisfação.


- Fico feliz por vocês. – Jared voltou a abraçá-la pelos ombros. – E feliz por mim, que vou poder ter você pra mim por mais um ano. Quando recebeu a resposta?


- Há algumas horas, você é o primeiro a saber, acredita? Ainda nem contei pro Joe. – Antes que pudesse segurar a língua, o nome dele já havia escapado. Fechou os olhos, soltando todos os palavrões que pôde em sua mente.
Sentiu Jared enrijecer ao seu lado e permanecer em silêncio. Por que não podia pensar um pouco antes de falar?
Não falava com Joe há tanto tempo que havia perdido as contas. No último e-mail que recebera dele, soube que a banda estava indo viajar para gravar o primeiro álbum, mas depois daquilo provavelmente ficaram ocupados demais para mandar notícia.
Desde que conhecera Jared os sonhos e a falação durante a noite haviam parado. Não gostava de confessar para si mesma que Joe não rondava seus pensamentos há algum tempo. Mas então por que quando recebera a notícia de que passaria mais um ano no Japão, a primeira pessoa que pensou em contar foi ele?
Percebeu que Jared estava dizendo alguma coisa e virou o rosto para ele.


- Desculpe, estava distraída. O que disse?


- Perguntei quando você pretende falar com ele.
Jared sabia sobre Joe. Talvez soubesse mais do que precisava saber, mas se quisesse conquistar Demi, teria que saber do seu passado e, mais ainda, saber com quem estava competindo. Sabia que o que ela sentia por ele ainda era muito forte, mas estava disposto a lutar pelo amor dela.Demi era incrível demais para que ele a deixasse escapar tão fácil. Estava apaixonado por ela e a queria para si. Se fosse preciso fazê-la esquecer de um amor que durou a vida inteira, então estava disposto a fazer isso.


- Em breve. – Ela respondeu, quase num sussurro. – Muito em breve.

Caminharam de mãos dadas pelo parque ensolarado, aproveitando o final de setembro, já sabendo que muita chuva viria nos próximos meses. Por vezes ele a girava pelas mãos, fazendo com que seu vestido esvoaçasse um pouco e a deixasse constrangida e sorridente ao mesmo tempo.
Jared apontou uma sorveteria no final da rua e sugeriu que fossem até lá, afinal, a temporada de sorvetes estava quase acabando e o calor em breve se tornaria frio e chuvas sem trégua. Beijou as costas da mão da menina, que estava segurando a sua com firmeza e a olhou por alguns segundos, acompanhando o sorriso dela se transformar em uma mordida no lábio inferior.
Demi sabia que ele não fazia de propósito, ou pelo menos achava que não, mas a forma como ele a olhava, quase a idolatrando, a deixava constrangida. A forma como o olhar dele acompanhava seus movimentos a paralisava, não sabia como agir. Jared tinha uma maneira única de mostrar o quanto se importava com ela, nunca tinha visto alguém transparecer tanto em um único olhar como ele.


- Pára de me olhar assim. – Reclamou, sentindo o rosto enrubescer.
Jared soltou uma risada nasalada e a abraçou, beijando-lhe os lábios por alguns segundos.


- Desculpe, é inevitável. – Sorriu.
Pegaram os sorvetes e sentaram em um banco em frente à sorveteria. Demi olhou o garoto ao seu lado e sorriu, tentando decidir se melaria ou não a bochecha dela com seu sorvete. Ele percebeu seu olhar e sorriu.


- Quer? – Ela perguntou.
Jared concordou e se aproximou do sorvete dela, levanto um susto quando o doce molhado melecou sua bochecha. Demi gargalhou, jogando a cabeça pra trás e se afastou rapidamente, temendo que ele fizesse o mesmo.


- Vem aqui. – Jared a segurou pela cintura, tentando melar o rosto dela também, mas a menina foi mais esperta e melou o outro lado da bochecha dele, deixando-o com o rosto cheio de sorvete.
Quando ele desistiu de tentar melar o rosto de Demi, ela se levantou e pegou alguns guardanapos no balcão, vendo a vendedora sorrir com a cena.


- Você é tão fácil de enganar. – Riu, limpando o rosto dele.


- Tá bom, esperta. – Pegou o guardanapo nas mãos dela e terminou de limpar o rosto.


- Own, desculpe por isso. – Demi segurou o rosto dele e beijou seus lábios brevemente.


- Só isso? Um beijinho por ter melado meu rosto inteiro?


- Mal agradecido. – Ela brincou, levantando-se para jogar os papéis no lixo, mas antes que conseguisse virar, Jared a segurou pela cintura e colou os lábios nos seus novamente.
Ela deixou que ele aprofundasse o beijo e se entregou ao momento, não se importando muito por estarem em um lugar movimentado. Jared se afastou, dando um último selinho, fazendo-a sorrir e se assustar ao abrir os olhos. Precisou piscar algumas vezes para que o rosto do garoto a sua frente parasse de sumir.


- Tudo bem? – Jared perguntou, preocupado.


- Tudo. – Respondeu, rápido. – Era só... Alguma coisa do meu olho. Preciso voltar pra casa. Tenho uma prova no fim dessa semana e preciso estudar.


- Ok. Te levo em casa.

Jogaram os restos dos sorvetes no lixo e, com um último selinho, ele segurou a mão dela e começaram a caminhada de volta para o flat. A cabeça de Demi dava voltas e ela sentia que o sorvete podia voltar a qualquer momento. Alguma coisa não estava certa. Na verdade quase nada estava certo na vida dela, mas ficava cada vez mais difícil lidar com tudo aquilo. Desde quando o rosto de Joe simplesmente aparecia entre ela e Jared?

Subiu o elevador do flat já procurando a chave da porta perdida na bolsa. Entrou apressada no apartamento e foi até o quarto, pegando canetas e papéis pelo caminho.
- O que aconteceu? – Makedde se assustou.


- Nada.


- O que você vai fazer?
Demi empurrou as coisas da mesa, fazendo-as cair pelo chão.


- Uma carta.


- Carta? – Mak perguntou sem entender. – Carta pra quem?
Demi não respondeu, mas ela não precisou de uma resposta. Viu a amiga escrever algumas poucas palavras apressadamente e resmungar, amassando o papel e jogando-o no chão. Isso aconteceu pelo menos três vezes, até que ela pareceu conseguir escrever alguma coisa que a agradou. Resolveu deixá-la sozinha no quarto, mas pôde ouvi-la fungar ao encostar a porta. 



# Flashback (2 anos antes)

Terminou de tomar a sopa já fria e depositou a colher no prato. Observou o pai molhar o pão na sopa enquanto lia o jornal do dia anterior despreocupadamente. Ponderou se deveria se retirar da mesa, mas acabou optando por esperar que o pai acabasse o jantar. De qualquer forma, teria que lavar os pratos, se não o fizesse, eles ficariam sujos na pia até que cansasse da sujeira e resolvesse limpar.
Quando o pai se levantou e foi sentar no sofá, ainda com o jornal velho nas mãos, ela recolheu os pratos e os levou para a cozinha. Na panela ainda estava uma boa quantidade da sopa que ela guardou em um recipiente e colocou na geladeira. Podia ouvir a televisão na sala, o noticiário falava sobre a queda na bolsa de valores. Sabia que seu pai não se interessava por nada daquilo, ligava a tv apenas por força de hábito e esperava queDemi subisse para o quarto para sair escondido.
Terminou de enxugar os pratos e os colocou no armário. A cozinha estava limpa graças a arrumação que havia feito mais cedo. Olhou o relógio que marcava pouco mais de nove da noite e decidiu estudar um pouco antes de dormir.
Fechou a porta do quarto, finalmente silenciando o barulho da televisão e deitou na cama, pegando o livro que estava no criado mudo. A prova de Biologia não aconteceria até a próxima semana, mas matara tantas aulas que precisava ler o assunto com muita antecedência se quisesse continuar com notas razoáveis. Não era a melhor aluna da sala, mas conseguia se manter um pouco acima da média e achava aquilo suficiente.
Com a proximidade do último ano de colégio, passara a pensar bastante sobre o que faria quando se formasse. Fizera algumas pesquisas, chegara a fazer testes vocacionais que achara na internet, mas cada um deles dizia uma coisa. Ou eles eram inúteis demais, ou ela realmente não sabia o que queria. Conversara com Joe uma vez sobre o assunto, mas a conversa não durou muito, quando perceberam já estavam falando sobre como tudo seria mais fácil se fossem estrelas do rock.
Quando completou quatro páginas de anotações, decidiu que estava na hora de descansar um pouco. O relógio agora marcava onze da noite e seu corpo começava a dar sinais de moleza, assim como seus olhos que vez ou outra se fechavam por mais tempo que o necessário.
Olhou em volta e desejou ter um computador para se distrair. Não que um site de relacionamento fosse ser muito útil. Já que sua rede social era tão restrita que chegava a ser vergonhosa, especialmente para uma garota de dezesseis anos. As únicas vezes que podia usar um computador era no colégio ou na casa de Joe. Como não gostava de passar mais horas que o necessário no colégio e Joe parecia muito ocupado nas últimas semanas, seu acesso à internet estava mais restrito que o normal.
O celular vibrou em cima da cama e ela sorriu ao ver que era uma mensagem de Claire. Mantiveram a amizade apesar da distancia, mandavam mensagens sempre que podiam e às vezes trocavam alguns e-mails.
“Festa na casa de um desconhecido rico. Queria que você estivesse aqui. – C.”
Sorriu ao terminar de ler a mensagem. Sabia que Claire havia feito amigos novos na França, mandara fotos algumas fotos, mas ficava feliz ao saber que não havia sido esquecida.
“Aproveita por mim então. Estou estudando biologia :/”
A resposta de Claire chegou antes do esperado.
“Pelo amor de Deus, Demi! Sai um pouco de casa, vai conhecer alguém.”
Uma risada irônica saiu de sua boca. Conhecer alguém, até parece, pensou. Estava cansada de saber que a falta de amigos era culpa dela mesma, havia se fechado para o mundo desde que sua mãe morrera e sua vida virara de cabeça para baixo.
Imaginou se tudo seria diferente se ela ainda estivesse viva. Talvez ela tivesse mais amigos, provavelmente não estaria em casa àquela hora. Ou talvez não. Talvez sua relação com Joe fosse completamente diferente. Talvez eles fossem apenas primos, como tantos outros primos que só se falam em reuniões de família e não sabem nada da vida um do outro. Mas então novamente, talvez não.
Mordeu o lábio inferior, pensando se deveria seguir o conselho de Claire ou continuar estudando. Não conseguia escutar se a televisão ainda estava ligada, mas pela hora seu pai já deveria ter saído.
Era sempre assim. Ela subia, ele enrolava um pouco e saía para beber. Voltava de madrugada bêbado, algumas vezes já de manhã quando Demi estava saindo para o colégio. Por duas vezes ele só voltou quase de noite. Estava acostumada, parara de se preocupar depois da terceira vez.
Discou um número no celular e o levou até a orelha, ouvindo o bip da chamada se repetir por sete vezes antes de cair na caixa postal. Desligou o aparelho, deixando-o em cima da cama. Aquele provavelmente era um sinal de que deveria ficar em casa, terminar de estudar e dormir.
Foi até o banheiro e escovou os dentes enquanto observava a própria imagem no espelho. Ao terminar, limpou o rosto com um produto que a moça da loja havia recomendado e prendeu o cabelo. Iria terminar o capítulo e dormir, era o que deveria fazer.
Antes que pudesse abrir o livro na página que parara, o celular vibrou, perdido no lençol embolado na cama. Quando finalmente o achou, atendeu sem olhar o identificador na tela.


- Você me ligou? – A voz de Joe soou abafada por causa da música alta ao fundo.


- Hm, é, liguei. – Falou. Agora que se convencera a ficar em casa, parecia sem sentido dizer o que queria antes. Permaneceram em silêncio por alguns instantes.


- E você queria me dizer alguma coisa? – O barulho diminuíra, agora a voz dele soava claramente curiosa. Demi riu.


- Queria. Mas não sei se quero mais. – Admitiu.


- O que você está fazendo acordada? Não tem aula amanhã?


- Tem, pai. – Brincou. – Para a sua informação ainda nem é meia noite. – Joe resmungou algo incompreensível, mostrando que ela estava certa. – Onde você ta?


- Em um bar. Perto de sua casa até. A banda de um amigo vai se apresentar essa noite.
Demi concordou, balançando a cabeça, mas lembrou que ele não podia ver e riu sozinha.


- Então, em que posso ser útil? Vai falar ou vai continuar enrolando?


- Era só... – Hesitou. – Eu só queria sair um pouco de casa. E como nenhum dos meus outros amigos está disponível, resolvi checar você.


- Outros amigos, né? – Joe riu. – Bom saber que eu sou a última opção da sua vasta lista de amigos.


- Pois é.


- Quer vir pra cá? Quer dizer, não sei se você consegue entrar, é um bar.


- Hm, acho que consigo sim. – Demi abriu a gaveta do criado mudo e procurou pela carteira de identidade falsa que Claire a havia praticamente obrigado a fazer quando ainda morava em Londres. – Vou me arrumar e pego um táxi, onde...


- Não, eu vou aí. – Joe a interrompeu. – Em quinze minutos to aí, tudo bem?


- Perfeito. – Sorriu. Deixou o celular em cima da cama e correu para o armário.
Em menos de cinco minutos separou a roupa que achou adequada e começou a se trocar. Foi até o banheiro e se maquiou um pouco mais rápido que o normal. Optou apenas por uma base, um pouco de blush rosada e lápis nos olhos. Estava simples e arrumada. Vestia uma blusa branca básica e uma xadrez azul por cima. A calça jeans era clara e tinha alguns discretos rasgos propositais. Para completar optou pelo all star branco e neutro.
O relógio marcava onze e quarenta e três quando o som da buzina de Joe soou pelo bairro silencioso. Desceu as escadas apressada, já sabendo que o pai não estava mais ali, e saiu de casa colocando o celular em um bolso e a carteira de identidade falsa com algum dinheiro no outro.


- Olá! – Sorriu ao entrar no carro.
- Olá. – Joe respondeu. – Sozinha em casa? – Ele observou a casa escura. Demi confirmou com um aceno.

A música alta que saía do rádio do carro substituiu a conversa até chegarem ao bar. 

- Me dá a mão. – Joe pediu.
- Por quê?


- Falei pro segurança na porta que ia pegar minha namorada e voltava rápido. Dá logo a mão. – Sussurrou.
Demi segurou a mão dele prontamente e sorriu quando chegaram em frente ao segurança. Ele a olhou de cima a baixo e fez um gesto para que entrassem, sem pedir a identidade dela. Os dois entraram e trocaram um sorriso cúmplice.
Demi viu Kevin conversando com um garoto desconhecido em uma mesa na frente do palco e se perguntou se aquele era o amigo cuja banda iria tocar. Ele era bonito, tinha os cabelos lisos e compridos puxados para frente e um piercing no nariz.


- Voltei! – Joe anunciou, puxando uma cadeira para que Demi sentasse.
Ela sorriu, acenando para os dois garotos, vendo-os repetir seu gesto.


- O Kevin você conhece, e esse é o Joel.
O garoto estendeu a mão e ela a apertou. Sentou na cadeira e observou três homens no palco que pareciam montar alguns equipamentos.


- Você é o amigo da banda? – Perguntou, sorrindo para o garoto em sua frente.


- Eu mesmo. – Ele fez uma pequena reverência e riu. – E você é a prima?


- A própria!


- Vai querer beber alguma coisa? – Joe perguntou e ela percebeu o garçom parado ao lado dele.
- Coca? – Disse em dúvida, baixo o suficiente para que apenas Joe ouvisse.


- Cuba Libre. – Ele sorriu para o garçom.


- Isso. Trás uma de menor pro bar e a embebeda de uma vez. – Kevin brincou.


- Caras, vou nessa. – Joel se levantou. – Hora do show!


- Boa sorte, cara. – Joe e Kevin disseram em uníssono.


- Senhorita. – Joel fez mais uma de suas reverências e piscou para Demi.


- Arrasa! – Ela levantou o polegar antes de ele se afastar. – Qual é o nome da banda? – Perguntou para Joe.


This Century.
Joel subiu no palco acompanhado de mais três garotos que pareciam ter a mesma idade que ele. Cada um pegou seu instrumento enquanto ele se dirigia ao microfone e apresentava a banda para o bar. Quando a platéia aplaudiu, Demi notou pela primeira vez o quão lotado o bar estava. A banda devia ser realmente boa.


- Vamos começar com a música nova. Ela chama Hopeful Romantic. – Joel disse no microfone.
Demi acompanhou o ritmo da música batendo os pés no chão e mexendo a cabeça. Era realmente boa e Joel tinha uma voz que ela considerou muito fofa. Percebeu que na mesa ao lado, três garotas acompanhavam a letra da música animadamente. Fã clube eles já tinham.
A segunda música pareceu ainda melhor que a primeira. Demi não sabia o nome, mas definitivamente iria perguntar a Joel depois, havia gostado bastante e na segunda vez que refrão foi repetido ela já arriscava cantar algumas partes da letra.


- Você precisa me avisar sobre essas bandas legais e desconhecidas. – Reclamou, olhando para Joe. Ele sorriu e a olhou, confirmando com um aceno. Ela sorriu de volta e por alguns segundos se viu presa nos olhos dele, como não acontecia há algum tempo. Sentiu o rosto esquentar um pouco e voltou a prestar atenção no palco.
Quando a sessão acústica começou, Demi teve certeza de que já havia virado fã da banda. Agora apenas Joel e o guitarrista estavam no palco. Os dois estavam sentados em um banco alto e conversaram algo rapidamente.


- Essa próxima música é um cover do Hall and Oates, uma banda dos anos 80. Ela chama Kiss On My List. – Joel anunciou.
Quando a melodia começou o público acompanhou com palmas. Demi sorriu também batendo palmas no ritmo e mexendo o corpo de um lado para o outro.
Quando Joel começou a cantar, ela pôde ouvir Joe acompanhar a letra, animado. Nunca tinha ouvido falar na música e nem na banda dos anos 80 que não lembrava mais do nome.

Because your kiss, your kiss is on my list
Porque seu beijo, seu beijo está na minha lista
Because your kiss, your kiss is on my list
Porque seu beijo, seu beijo está na minha lista
Because your kiss is on my list of the best things in life
Porque seu beijo está na minha lista das melhores coisas da vida
Because your kiss, your kiss is on my list
Porque seu beijo, seu beijo está na minha lista
Because your kiss, your kiss I can't resist
Porque seu beijo, seu beijo eu não consigo resistir
Because your kiss is what I miss when I turn out the light
Porque seu beijo é o que eu sinto falta quando apago a luz

O refrão além de lindo era fácil, o que fez com que Demi e a grande maioria das pessoas acompanhassem junto com Joel. Ele sorriu ao perceber a animação do público e deixou que cantassem sozinhos uma parte da música.
Mesmo com toda a agitação, Demi ainda conseguia ouvir a voz baixa de Joe cantando. Sentiu um arrepio e encolheu os ombros levemente, será que durante todos esses anos ela nunca havia reparado como a voz dele era linda, ou ela apenas não lembrava? Não o ouvia cantar a tanto tempo que não conseguia lembrar quando fora a última vez.
Virou para ele e sorriu.


- Que foi? – Perguntou, confuso.
- Eu gosto da sua voz. – Deu de ombros.
Joe resmungou, abaixando a cabeça e passando a mão pelos cabelos, demonstrando que estava sem graça. Segurou o rosto dela e a fez virar novamente para frente, voltando a cantar quando ela fingiu não prestar mais atenção nele.

Depois de cantar mais três músicas, os garotos agradeceram a presença de todos no bar e desceram do palco.
Kevin e Joe se levantaram para cumprimentar Joel, e Demi resolveu fazer o mesmo, apenas para não parecer que estava sendo mal educada. 


- Virei fã! – Confessou, abraçando Joel.


- Gostou mesmo? – O garoto sorriu, colocando a cadeira ao lado dela. Demi confirmou com um sorriso.
Nenhuma outra banda iria tocar depois deles, então as pessoas se dispersaram e o barulho no bar pareceu aumentar como se milhares de pessoas tivessem chegado ali.
Os outros garotos da banda também se juntaram a eles na mesa e entraram na conversa sobre bandas independentes que estavam começando a fazer sucesso.
Demi se divertia com as histórias que a banda contava sobre shows nos lugares mais estranhos e fãs histéricas que pareciam brotar do chão em certos lugares. Normalmente ela não se sentiria a vontade sendo a única garota do grupo, mas naquele momento ela nem estava ligando para esse fato. Sentia que era parte daquele grupo, não havia distinção por ela ser mais nova ou por ser garota, estava se divertindo tanto quanto eles.
E ali, sentada entre aqueles garotos, ela percebeu que os poucos amigos que tinha lhe bastavam. E que eles valiam muito mais do que quaisquer outros.



# End of flashback

Joe entrou no loft, sem acreditar que, depois de mais de um mês, estava finalmente em casa. Olhou ao redor tentando se certificar de que não era um sonho e sorriu sozinho. Do outro lado do corredor pôde escutar um latido, Harte provavelmente sentira seu cheiro e agora queria voltar pra casa.
Antes que pudesse se virar, ouviu a porta no final do corredor se abrir e o cachorro correr até onde ele estava. Harte não se decidia entre latir, pular e lamber as mãos de Joe, a euforia estava fora de controle.
Mark se aproximou e riu da cena.


- Brigado por ter ficado com ele, cara. – Trocaram um aperto de mão.


- Sem problemas. No início ele ficou um pouco histérico, mas depois ele se acalmou. – Mark deu alguns tapinhas amigáveis na barriga do animal. – Mas me conta, como foi a gravação do álbum? Vão ficar famosos mesmo?


- É, quem sabe? Deu tudo certo lá, faltam apenas algumas coisas pra que ele fique todo pronto. Já escolhemos o primeiro single e tudo o mais.


- Caraca, vai virar cantor de boyband, hein? Todas as meninas dando em cima. – Deu um soco de leve no braço do vizinho.
Joe riu, sem jeito.


- Tenho uma demo com algumas das músicas na mala, depois te mostro.


- Beleza. Vou nessa. Bom ter você de volta. – Com um aceno, Mark se afastou e entrou em casa, fechando a porta atrás de si.


- Vamos entrar, garotão? – Joe acariciou a cabeça de Harte, que soltou um latido em resposta.
Fechou a porta e jogou a mala no canto, sem se importar muito em desempacotar. Poderia fazer isso alguma outra hora. Só o que queria era deitar e não fazer nada por algumas horas.
O vôo da Irlanda até a Londres era curto, mas foi o suficiente para deixá-lo com dor de cabeça e cansado como se não dormisse direito há dias. O que não deixava de ser verdade. Ficaram tão ocupados com a gravação do cd que por vezes deixavam de dormir e de comer. A empolgação era grande demais para caber em um período de vinte e quatro horas.
Jogou-se na cama, fechando os olhos e relaxando. Desejou ter mais alguém por ali que pudesse pegar algum remédio e deitar ao seu lado em silêncio. Abriu os olhos e observou a foto no criado mudo, duas crianças sorriam para ele, um sorriso sincero que ele conseguia compreender mais do que ninguém.
O botão de recados do telefone não piscava, mas o apertou apenas por força de hábito. Não há novas mensagens, foi o que a voz anunciou. Apertou algumas teclas e verificou as chamadas perdidas durante o tempo em que estivera fora. Havia alguns números desconhecidos, mas no meio deles, um que ele sabia de cor se perdia. Havia pelo menos cinco chamadas não atendidas desse número.


- Droga. – Resmungou, largando o telefone na cama.
Fechou os olhos e decidiu que resolveria isso depois. E de qualquer forma, já era muito tarde do outro lado do mundo. As pessoas lá já deveriam estar dormindo, exatamente como ele desejava fazer naquele momento.

O barulho da campainha o despertou de um sono profundo. Abriu os olhos ainda desorientado e olhou ao redor, tentando se situar. Levantou, caminhando apressado em direção as escadas, já vendo Harte parado em frente a porta.


- Olá, Sr. Jonas. Bem vindo de volta. – Hugo, o porteiro, o cumprimentou.
Sorriu, ainda sonolento demais para dizer qualquer coisa.


- Guardei as correspondências como o senhor pediu. – Hugo estendeu um pequeno bolo de cartas e acenou, entrando no elevador antes que Joe pudesse agradecer.
Colocou as correspondências no balcão e deitou no sofá na intenção de voltar a dormir. Menos de cinco minutos depois abriu os olhos, suspirando pesadamente e desejando poder ter apenas mais uma hora de sono.
Levantou-se frustrado e foi até a cozinha preparar algo para comer, não havia percebido o quanto seu estômago pedia por comida.
Preparou um sanduíche rápido e sentou para comer, pegando as correspondências para olhar se tinha perdido alguma coisa importante. Os pagamentos principais ele havia conseguido fazer de Dublin, então provavelmente não haveria nada muito significativo naquela pilha.
Um envelope azul claro chamou sua atenção. Nenhum pagamento vem em envelopes azuis.
Sentiu o sanduíche engasgar na garganta ao ler o nome do remetente no envelope. Bebeu um gole do suco rapidamente, sentindo os olhos encherem de lágrimas por causa do pedaço preso na garganta. Tossiu algumas vezes antes de conseguir engolir o sanduíche e respirar normalmente.
Uma carta de Demi? Em todos esses meses que ela estava no Japão, nunca havia mandado uma carta. Sempre se falavam por e-mail ou telefone, com tanta tecnologia, mal conseguia se lembrar que ainda se usavam cartas.
Abriu o envelope com cuidado para não rasgar a carta e respirou fundo antes de abrir o papel e encontrar a letra delicada de Demi.

Enfim uma carta, né? Estou aqui há tanto tempo, mas confesso que nunca me ocorreu de te mandar uma. Talvez seja porque é um pouco demorado, e você sabe que eu odeio esperar por uma resposta, mas acho que dessa vez essa é a melhor forma de me expressar. E pelo menos por aqui não corremos o risco de cairmos em silêncio.


Certo, ela também havia percebido os silêncios constrangedores que tomavam conta de suas conversas. Pelo menos não era só ele que se incomodava com aquilo. Aqueles silêncios pareciam gritar palavras inconvenientes que Joe não queria ouvir. Eles gritavam a verdade que os dois se recusavam a aceitar.
Balançou a cabeça e continuou a ler.

Eu nem sei direito como escrever uma carta, mas suponho que eu só precise escrever o que quiser e mandar, certo?
A gente não se fala há algum tempo, no seu último e-mail você comentou sobre a gravação de um cd. Espero que tudo tenha dado certo. Vocês já têm um nome para a banda? Tomara que não tenham se rendido a vontade do Chris e nomeado a banda com algum nome esquisito de Star Wars.
Por aqui as coisas estão tranqüilas. O curso continua ótimo e Makedde continua a mesma consumidora descontrolada de sempre. No começo fiquei com receio, mas hoje percebo que eu não poderia ter encontrado uma colega de quarto melhor. Lógico que ajudaria se ela fosse um pouco mais organizada, mas acho que depois de todo esse tempo eu me acostumei com a bagunça dela.
Estamos no Outono agora, o tempo ainda está um pouco quente, mas em breve o frio chega, então temos que aproveitar. Às vezes sinto falta do clima de Londres, das chuvas, do frio, mas é fácil se adaptar ao clima daqui.
Sei que estou falando um monte de besteiras que não interessam, mas honestamente não sei direito como começar os dois assuntos que são o motivo de eu te mandar essa carta.
Makedde me deu um pouco de privacidade e estou sozinha no quarto. O silêncio que supostamente me ajudaria a pensar no que dizer, só está me sufocando.
Nesses quase dez meses em que estamos separados, em momento nenhum eu deixei de sentir a sua falta. Seu sorriso infantil que fazia com que eu me sentisse segura aos poucos foi ficando fora de foco em minha mente, hoje eu preciso de uma foto para lembrar exatamente dele, mas não é a mesma coisa.
Seus telefonemas me ajudavam a guardar sua voz, e, por vezes, ainda consigo escutá-la em minha mente, mas é como um rádio fora de sintonia. E dói não conseguir sintonizar.
Às vezes, durante a noite, consigo sentir seus braços em volta de mim e sua respiração pesada fazendo cócegas em meu pescoço, mas essa é a única lembrança que ainda me parece viva. Mas a cama fria pela manhã me traz de volta a realidade.
Há alguns meses fui a uma festa com Makedde. Aceitei ir porque precisava esquecer de algumas coisas que estavam acontecendo. As noites de sono não estavam sendo boas para mim. Falei sobre isso no nosso último e-mail. Você se lembra da festa que eu comentei? Falei sobre algumas amigas de Makedde que vieram da Holanda e sobre um cara. E é sobre esse cara que eu queria falar.


Joe pensou alguns segundos antes de continuar a ler a carta. Talvez não tivesse tanta importância assim. Ponderou colocá-la de volta no envelope e ler depois, mas uma voz em sua mente gritava para que ele continuasse. Sentia a própria mão apertar o papel com tanta força que começava a amassá-lo.
Ele não esperava que Demi passasse um ano fora pensando apenas nele. E sabia que ela não esperava o mesmo dele. Não iria fingir que nenhuma garota passara por sua cama nos últimos dez meses, mas não podia dizer que lembrava o nome de ao menos uma delas. Todas haviam virado um borrão em sua mente, conseqüência de uma noite regada a álcool.
Nunca havia chegado a mencioná-las nos e-mails ou telefonemas, não achara necessário. Eram apenas corpos quentes em sua cama fria. Uma tentativa fracassada de, por ao menos alguma horas, esquecer a saudade que ardia em seu peito. Mas na manhã seguinte a solidão o fazia companhia novamente.
Abriu o papel mais uma vez e se obrigou a continuar. Faltavam dois meses para ela voltar para casa, o quão sério podia ser aquilo? Em dois meses ela seria sua novamente.
O nome dele é Jared, e ele é realmente um cara encantador. Ficamos amigos na festa e passamos a nos falar todo dia. Ele sempre foi tão sutil que não percebi o quão próximos estávamos até que eu já estava envolvida. Estamos junto há um pouco mais de um mês, mas nem por um segundo eu parei de sentir sua falta.
Eu sinto que por mais que eu tente, eu não consigo me entregar. Meu peito dói, constantemente me lembrando que o meu coração está sem o sangue venoso para fazê-lo funcionar. Cada vez que eu deixo o Jared se aproximar mais, é como se eu me afastasse.
Por que é tão difícil sem você?
Essa carta é tudo que eu desejei nunca precisar escrever. Ela representa tudo que eu nunca imaginei que pudesse acontecer. Como meu sonho se tornando realidade, mas na forma de pesadelo.
Queria poder dizer que em dois meses eu vou poder te ver novamente. Que daqui a pouco tempo essa angustia vai passar, mas parece que o destino reservou outra coisa para nós dois.
Hoje eu recebi uma resposta do curso que estava esperando há algum tempo. Desde que recebi tal resposta a única coisa que tenho pensado é em como te contar. Gostaria que fosse pessoalmente, só para eu ouvir sua voz me dizendo que vai ficar tudo bem e que tudo vai dar certo no final. Eu e Makedde ganhamos outra bolsa de estudos, vamos ficar mais um ano por aqui. Não é noticia que eu gostaria de te dar e definitivamente nada disso estava nos meus planos, mas aconteceu.
Agora os dois meses que faltavam parecem distantes e um ano virou uma eternidade. Não sei como tudo vai ser a partir de agora, mas a única certeza que eu tenho no meio de tudo isso é você. Não importa qual estrada eu pegue, qual caminho eu decida seguir, eu sei que o final vai ser sempre você. Só você.
Vou terminar essa carta por aqui, não consigo continuar, já está sendo difícil demais te falar tudo isso.
Desejo que tudo dê certo para você, Nick, Chris e Kevin. Qualquer que seja o nome da banda, até mesmo alguma tosquice de Star Wars, eu tenho certeza que vocês serão um sucesso. Manda um beijo pra eles e fala que eles fazem muita falta.
Se cuida. Amo você.

Demi xx


Joe releu as duas últimas frases até conseguir ouvir a voz dela dizendo aquilo. Podia sentir algumas lágrimas rolando livremente por seu rosto, e não se importou com aquilo. Observou o papel com algumas marcas indicando que ela também havia chorado ao escrever.
Por que as coisas se complicaram tanto? Eles já não tinham sofrido o suficiente até ficarem juntos? Parecia que quanto mais tentavam ficar juntos, mais alguma coisa os afastava.
Guardou a carta no envelope e inspirou uma grande quantidade de ar, limpando o rosto com as costas da mão. Ficou alguns minutos parado, apenas aproveitando o silêncio e a solidão que o acompanharia por mais catorze meses.
Pegou o copo vazio e o jogou na pia, gostando do som do vidro se quebrando. Harte correu assustado para o seu lado e ele se rendeu, sentando no chão, derrotado.
Deitou no mármore gelado e fechou os olhos, mais uma vez tendo que se contentar com a escuridão.



Continua...




bbzinha roox:o joe não vai por chifre nela não né? e ja ta no final da fic? quando a demi vai voltar do japão?

R: Não sei kk e não sei kkk.


Rebecca Gomes: R: Own flor que bom que vc gosta.




Então gente como a bbzinha roox perguntou ali em cima o/ (Já ta no final da fic?) sim gente já ta bem perto  do final mas por ai ainda vem capítulos bem emocionantes aguardem hahaha.

17 comentários:

  1. Simplesmente perfeito e emocionante.
    Chorei quando o Joe leu a carta e estou super ansiosa pra saber o que vai acontecer.
    Posta logo, please.

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  2. DEMI TÁ NAMORANDO ESSE TAL DE JARED?? Tipo... ?
    Eu PRECISO, TIPO, A-G-O-R-A de um capítulo!

    Por favor, posta loogo! ;*

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  3. ai meu deus posta logoo please não demora

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  4. To começando a ficar com Raiva dessa Demi !
    Serio mermão.
    Ain my God ! Posta Logo. e faz o ano passar mais rápido kkkkkkkk'
    Sua Historia é perfeitaaaaaaaaaaaaaaaw !
    Ti amo, serio ! rsrsrs'
    Enfim, Até o próximo capitulo :D
    Beijemi :* ♥

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  5. Posta logo por favooor! Bj bj! <3

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  6. OOiiiiii Desculpa não comentar é que eu leio pelo cel e meu celular sempre da problema pra comentar mais sua história é perfeita vc sempre me faz chorar *-* e rir muito kkkkk posta logo ta *-* e se vc puder divulga meu blog jemi-youremystarsostaystrong.blogspot.com ta no começo ainda mais logo vamos começar a postar mais historias!Muito obrigada e beijinhos poste logo!

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  7. vou te bateeeeeeeeeeeeerrrrrrrrrrrrrr.. como assim demi com outro? como assim joe dormindo com outras? FAZ ESSES DOIS VOLTAREM AGORAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA

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