domingo, 8 de julho de 2012

Capítulo 13

Olhou a folha em sua mão toda respondida e releu as respostas com cuidado. As perguntas eram mais sobre conhecimentos gerais do que de alguma matéria especifica, o que a deixara muito mais tranqüila.
Respirou fundo depois de reler as quatro folhas de resposta e as juntou organizadamente prendendo-as com um clipe. Levantou-se da cadeira com cuidado para não fazer barulho e atrapalhar os outros que ainda estavam fazendo a prova e se dirigiu até a fiscal a entregando a prova e recebendo um sorriso.


- Boa sorte. – A senhora falou recolhendo sua prova e guardando em um envelope. Demi sorriu agradecida e saiu da sala agradecendo por finalmente ver a luz do sol.
Suspirou alto quando chegou à calçada do lado de fora do prédio onde a prova acontecera e pegou o celular na bolsa lembrando que se esquecera de desligá-lo, por sorte estava no silencioso. Sorriu quando viu piscar na tela o aviso; “Nova mensagem de Joe”.

“Me liga quando terminar a prova?
Boa sorte. Te amo!
Joe xx”


Discou o numero dele rapidamente e caminhou até a praça que havia um pouco mais a frente.
- Oi, Dem! – Ela ouviu uma voz animada do outro lado da linha e riu sozinha.


- Nick? – Falou em duvida.


- Cara, me dá meu celular! – A voz de Joe reclamou fazendo Nick rir alto. – Dem, fala pro idiota do Nick que você ligou pra falar comigo! – Joe gritou arrancando uma risada da menina.


- Nick, eu liguei pra falar com o Joe, mas não me importo nem um pouco de falar com você. – Sorriu sentando em um dos bancos vazios da praça e agradeceu por não estar chovendo que nem no dia anterior.


- Viu? Ela disse que não se importa de falar comigo! – Nick se gabou. – Outch! Dem, ele me bateu. – Fez voz de choro. Demi ia responder, mas a voz de Joe a interrompeu.


- Oi! Desculpe por isso, Nick já bebeu algumas cervejas. – Falou rindo quando Nick gritou “Calúnia”.


- Não tem problema, eu gosto do Nick. Ele sempre me faz rir. – Deu de ombros.


- Espera um pouco. – Joe tirou o aparelho do ouvido e se afastou dos amigos saindo do quarto em que estavam. – Pronto! Então, como foi a prova? – Sorriu caminhando pelo corredor vazio do hotel.


- Tudo bem. Perguntas sobre conhecimentos gerais e algumas poucas especificas. – Respondeu tranqüila observando uma criança brincar com um cachorro, fazendo-a lembrar que Harte estava sozinho em casa. – E por aí, como foi a reunião com o produtor? – Se levantou fazendo o caminho até o metrô.


- Ótima! Ele pareceu interessado na banda e nós mostramos algumas musicas que o deixaram animado. – A empolgação na voz de Joe fez a menina sorrir. – A gente precisa de um nome legal pra banda, mas estamos sem idéias. – Reclamou.


- Tenho certeza que vocês vão achar um nome legal. – Demi sorriu. – Preciso desligar, vou descer no metrô e ir pra casa. O Harte deve estar pirando lá sozinho.


- Sabia que você era péssima dona! – Acusou rindo e a menina resmungou baixo. – Tudo bem, amanhã a gente se fala e daqui a dois dias eu volto.


- Estarei esperando. – Sorriu. – Beijo. – Ouviu o garoto repetir sua fala do outro lado da linha e desligou o celular guardando-o na bolsa.
O metrô lhe parecia incrivelmente calmo e silencioso naquele dia. As pessoas pareciam compenetradas demais em seus próprios pensamentos, livros e jornais e as poucas que conversavam, pareciam querer que ninguém mais os escutasse. Agradeceu mentalmente e pegou o ipod na bolsa ligando-o no shuffle e relaxando durante o não tão longo caminho até o loft.



# Flashback (6 anos antes)

Demi sentou na bancada observando a tia caminhar pela cozinha abrindo algumas gavetas e resmungando baixo.
- Achei. – Ela falou sorrindo. Caminhou até a menina e tocou sua testa e sua garganta antes de colocar o termômetro embaixo do braço dela. – Como você tá se sentindo? – Perguntou num tom maternal.


- Eu tô bem. – Demi respondeu tossindo logo depois. Sua garganta doeu e ela fez uma careta de desaprovação.


Cory suspirou pesadamente balançando a cabeça em negação e amaldiçoando o pai de Demi em pensamentos. Como ele podia deixar a filha de 12 anos doente sozinha em casa? Se dependesse dela, Demi já teria saído daquela casa há muito tempo. Aquele homem claramente não tinha condições de cuidar da própria filha.


- Vou até a farmácia comprar um xarope e algum remédio para dor, tudo bem? – Falou olhando a menina que concordou com um aceno de cabeça. – O Joe deve estar lá em cima se arrumando para uma tal festa na casa de um amigo. Você sabe melhor do que eu que quando ele quer, parece uma noiva se arrumando.


- Hei, eu ouvi isso. – Joe falou alto passando pela porta da cozinha. – Mãe, você viu o outro pé do meu tênis branco? – Perguntou dando a volta na sala.


- Acho difícil que esteja aqui na sala. – Respondeu caminhando até a porta. – Vou até a farmácia comprar alguns remédios, ok? 


- Aconteceu alguma coisa? – Joe enrugou a testa preocupado. Cory sorriu levemente.


- A Dem tá gripada e provavelmente com febre. Nada muito grave. – Falou vendo o filho já caminhar até a cozinha. Balançou a cabeça negativamente e saiu de casa apertando o casaco contra si.


- Oi, enferma. – Joe brincou entrando na cozinha. – Como você tá? – perguntou tocando a testa da menina que rolou os olhos e tirou a mão dele de lá.


- Eu tô bem, só um pouco gripada. – Deu de ombros.


Joe pegou o termômetro checando a temperatura da garota.


- E com febre. – Falou vendo o mercúrio marcar quase 39 graus.


- Nada demais. – A menina deu de ombros. – Festa? – Perguntou observando as roupas que Joe vestia. 


- Hm... acho que não. – Falou dando de ombros. Demi o olhou sem entender. Ele estava vestindo a camisa rosa que ela mais gostava e sabia que ele só usava para sair. – Não vou sair pra festa e te deixar aqui doente. – Explicou a olhando.

Demi controlou um sorriso e tentou uma expressão indignada.

- A sua mãe vai ficar aqui comigo, Joe. – Falou descendo da bancada. – Você não precisa ficar também.


- Não preciso, mas eu quero. E não adianta fazer essa expressão indignada, eu sei que você quer que eu fique. – Brincou ganhando um tapa no braço. – Vamos lá pra cima. Eu comprei o box com a ultima temporada de Friends que saiu em DVD. – Sorriu.


- Apelar pra Friends é golpe baixo, Joe Jonas. – Ela riu subindo as escadas ao lado do menino.


- Eu sei. – Ele deu língua correndo na frente dela fazendo a menina gargalhar.

Demi se mexeu embaixo do edredom cobrindo uma pequena parte do seu pé que estava descoberta e se encolheu sem desviar a atenção do quinto episódio de Friends que ela e Joe assistiam. 


- Ainda tá com frio? – Joe perguntou baixo a olhando.




- Não. – Mentiu sem encará-lo.
Joe se levantou em silêncio e saiu do quarto voltando menos de um minuto depois com o termômetro na mão.


- Não vou medir minha temperatura de novo! – Demi bufou sem paciência se encolhendo ainda mais debaixo do edredom. Joe rolou os olhos sentando na beirada da cama. – É sério! Faz umas 3 horas só que a sua mãe mediu.


- Pára de ser mimada, Demi. Você tomou remédio, preciso ver se fez efeito. – Falou um pouco irritado colocando o termômetro na menina.


Demi o olhou mal humorada e resmungou baixo voltando sua atenção para a televisão ligada. Tossiu forte fazendo sua garganta doer e resolveu ignorar o riso baixo de Joe, ela estava sim se sentindo melhor, mas seu corpo insistia em negá-la.
Joe deitou sem jeito na beirada da cama e ela rolou os olhos se movendo um pouco para o lado para que ele não caísse da cama, mas o garoto foi mais rápido e a puxou pra perto de novo.


- Tô te passando calor humano, Demi. – Disse sério.
A menina sentiu vontade de rir, mas ficou quieta ao sentir a respiração dele bater lentamente em sua bochecha fazendo seu sangue ferver naquela área. Encolheu um pouco o pescoço e fechou os olhos respirando fundo. O que estava acontecendo com ela?
Sentiu Joe brincar com o anel que estava em seu dedo girando-o rapidamente e o olhou pelo canto do olho reparando que ele estava concentrado na televisão. Virou um pouco o rosto e gelou ao perceber o quão próxima dele estava. Seu nariz estava a poucos centímetros da bochecha levemente rosada dele e ela sentiu uma vontade enorme de tocar o rosto macio dele.


- Joe. – Ela falou com a voz fraca e observou quase em câmera lenta o rosto dele se virar em direção ao seu fazendo com que seus narizes se tocassem e a respiração dele caísse diretamente em sua boca.
Joe a olhou inseguro sentindo a própria respiração falhar e controlou a vontade de acabar com aquela distância entre eles de uma vez. Sua mente estava dividida entre beijá-la ou se afastar e fingir que aquilo nunca havia acontecido. Ele não conseguia saber o que ela estava pensando, mesmo que estivesse olhando nos olhos dela que lhe pareciam mais transparentes que o normal. Ele não ia se arrepender de fazer aquilo, mas haviam as conseqüências e ele não sabia se poderia lidar com elas.
Demi respirou fundo sentindo seu coração bater tão forte e desesperado que era um milagre Joe não estar ouvindo. Seus olhos estavam fixados nos dele e ela não se sentia capaz de desviar daquele olhar, ela não queria desviar. Sentiu um frio na espinha quando a mão de Joe tocou em seu rosto com tanta delicadeza que a fez fechar os olhos e relaxar os músculos de seu corpo inteiro.
Seus lábios se tocaram com um misto de cuidado e ternura e nenhum dos dois saberia dizer o que havia acontecido exatamente. Era o momento deles que havia chegado sem que eles percebessem, os sentimentos que antes pareciam escondidos vieram à tona e todas as lembranças dos momentos em que estavam juntos invadiam suas mentes sem permissão.
Joe deslizou a mão fazendo com que seus dedos se entrelaçassem nos cabelos dela, podia sentir o nervosismo dela praticamente entrando em sua pele. Aquele era o primeiro beijo de Demi e ele tinha consciência disso. Sua língua fez o contorno dos lábios delicados dela e ele sentiu a mão dela segurar em seu braço.
Demi abriu a boca ainda sem saber direito o que fazer, seu nervosismo estava estampado em cada ato e em cada pensamento. Ela já havia lido sobre aquilo e imaginado por diversas vezes como seria seu primeiro beijo, mas na prática tudo parecia ser mais complicado. E por Deus, aquele eraJoe! Quantas vezes ela imaginara que seu primeiro beijo seria com ele? Perdera as contas. Agora aquele choque de realidade lhe trazia a insegurança e ela tinha medo de parecer uma pirralha na frente dele, apenas uma boba que nunca havia beijado ninguém.
A língua dele tocou a sua e ela sentiu os pêlos em sua nuca se arrepiarem e seu estomago revirar numa sensação engraçada. Deixou que seus instintos a guiassem e relaxou deixando que o gosto dele se misturasse ao seu.
Com uma mordida de leve no lábio inferior da menina, Joe se afastou lentamente ainda de olhos fechados tentando absorver o máximo daquele momento e não deixar o gosto dela escapar da sua boca. Demi manteve os olhos fechados, ainda extasiada, toda a coragem havia fugido e agora ela estava insegura de novo. Abrir os olhos significava encarar Joe, olhar nos olhos dele e ver a decepção e o arrependimento era algo que ela não queria. 


- Dem, abre os olhos. – A voz suave dele a assustou.
Abriu os olhos lentamente encontrando a ternura estampada na íris azul de Joe. Ele sorriu quando as bochechas dela assumiram um tom rosado entregando sua timidez. Demi abaixou os olhos para a própria mão que ainda segurava o pulso dele e antes que pudesse evitar, já estava falando a frase que ecoava em sua cabeça.


- Eu fui horrível, não fui? – Sua voz estava fraca e baixa demais. Ela desejou que ele não tivesse ouvido, mas a risada baixa e nasalada dele chegou até seus ouvidos.


- Claro que não. – Respondeu calmamente tocando o queixo dela levantando seu rosto e conseguindo encarar seus olhos inseguros. – Você tá suando frio. – Ele sorriu segurando a mão dela.
Demi balançou a cabeça rapidamente e soltou a mão dele. Odiava quando seu corpo entregava tudo que estava acontecendo com ela. Corpo traidor, pensou com raiva. Joe não precisava saber que a vontade dela era se enfiar em um buraco e nunca mais ter que olhar nos olhos Verdes hipnotizantes dele. Como ela iria encará-lo agora?


- Dem, olha pra mim. – Joe pediu baixo, dessa vez sem tocá-la. Ela relutou alguns segundos antes de encará-lo. – Você não precisa ficar sem graça e nem com vergonha de mim. Nós ainda somos Joe e Dem. Isso não vai mudar o que eu sinto por você. – Falou sério.
Demi respirou fundo e concordou balançando a cabeça. Então, pela segunda vez em menos de cinco minutos, se ouviu perguntando a frase que ecoava em sua cabeça.


- E o que você sente por mim? – Sua voz firme contrastava com sua insegurança e os gritos de protesto em sua mente.
Joe a olhou sentindo o ar sumir por alguns instantes. Como ele iria explicá-la que ainda não haviam inventado uma palavra que definisse exatamente o que ele sentia por ela? Como ele iria explicá-la que ele se sentia o cara mais sortudo da face da terra por saber que aquela menina em sua frente era só dele e ninguém mudaria isso? Como ele iria explicá-la que só com um sorriso, ela conseguiria qualquer coisa dele?


- Joe? Dem? – A voz de Cory veio do andar de baixo os assustando. Joe se sentou ereto na cama e Demi se afastou um pouco voltando sua atenção para a televisão ainda ligada.


- Aqui no quarto! – Joe respondeu tentando fazer a respiração voltar ao normal.


- Dem, como você está se sentindo, minha linda? – Cory perguntou em seu habitual comportamento materno. A menina sorriu levemente.


- Eu tô bem, tia. – Respondeu rezando para que seu corpo não desse qualquer sinal de que seu coração ainda parecia que iria pular pela sua boca a qualquer momento e suas mãos suavam frias mesmo que ela sentisse frio.


Cory caminhou até ela e botou a mão em sua testa e garganta, checando sua temperatura.
- Joe, você mediu a temperatura dela? – Perguntou olhando o filho.

Joe abriu a boca por alguns segundos lembrando que o termômetro estava provavelmente caído na cama.

- Medi. – Mentiu. – Uns dez minutos atrás, a febre diminuiu. Tá praticamente normal. – Sorriu convincente.


- Ótimo. Acho que está na hora de irmos dormir. – Falou consultando o relógio no criado mudo. – Vamos, Dem. Você vai dormir lá na cama comigo. – Tirou o cobertor da menina e a ajudou a se levantar.
Demi olhou para Joe deixando claro que ainda queria uma resposta, mas ele desviou o olhar para as próprias mãos.


- Joe, vista alguma coisa. Você não é mais uma criança para ficar circulando na frente da Dem apenas de cueca. – Cory reclamou já saindo do quarto e arrancando um sorriso discreto do filho e da sobrinha.
Joe deitou na cama sem se preocupar em vestir uma camisa, desligou a televisão que mostrava os créditos de Friends passando e fechou os olhos lembrando-se do que havia acabado de acontecer.
Ele imaginara aquilo tantas e tantas vezes, de diversas formas possíveis e não se lembrava de ter imaginado que seria tão perfeito. Era como se todas as peças do quebra-cabeça se encaixassem, aquilo parecia tão certo que ele precisava lembrar a todo o momento que Demi era sua prima, não de sangue, mas ela era a menina que ele havia carregado no colo e crescido junto. Ele não sabia como seria dali pra frente, e ele não queria que aquele beijo mudasse a relação dos dois, mas sabia que havia conseqüências e ele teria que aprender a lidar com elas.



# End of flashback

Demi terminou de arrumar a casa com um suspiro. Estava tudo limpo e varrido, não havia pratos sujos dentro da pia e alguns objetos haviam sito mudados de lugar pelo simples fato dela não conseguir ficar parada em algum lugar. Já havia tentado assistir televisão, ver filmes, ouvir música, mas tudo lhe parecia entediante demais e nenhuma das escolhas fazia o tempo passar mais rápido.
Joe só chegaria pela noite e ela já estava achando impossível se concentrar em alguma tarefa. Agora estava tudo arrumado e ainda faltavam umas 5 horas para que ele chegasse em casa. Harte passou por ela indo deitar no carpete, mas ela o impediu correndo até a coleira dele e o levando para fora do loft. Passear com o Harte era uma terapia, e a ajudaria a passar tempo.

As ruas movimentadas distraiam seus pensamentos, ela gostava de observar o comportamento das pessoas. Gostava de ver grupinhos de meninas adolescentes andando todas juntas e sempre falando segredinhos entre si. Gostava dos empresários que caminhavam sempre perdidos em seus próprios pensamentos com suas maletas na mão. Gostava mais ainda das senhoras que sempre andavam pela vizinhança distribuindo sorrisos.
Harte caminhava tranquilamente, sempre com seu instinto farejador aguçado. Farejava qualquer coisa que houvesse pela frente, Demi achava engraçada a forma como ele se interessava por coisas mínimas e raramente dava atenção para algum outro cachorro que estivesse passando perto dele.
Seus pés começarem a doer quando ela finalmente chegou à pracinha que sempre tivera vontade de ir. Passara de carro por ali algumas vezes e sempre fora encantada com o tanto de verde que havia por ali, só não imaginara que ir a pé fosse ser tão cansativo.
Sentou-se em um banco vazio e soltou Harte da coleira sabendo que ele era medroso demais pra ir muito longe dela ou se arriscar a chegar à rua com os carros passando. Ele deitou-se perto de seus pés com a língua pra fora e a respiração pesada fazendo-a rir, pelo menos não era só ela que estava fora de forma.


- Belo cachorro. – Uma voz masculina falou ao seu lado, a assustando um pouco. Ela encarou o garoto moreno com uma franja caindo sobre os olhos e sorriu agradecida. – Ele ou ela? – Olhou em dúvida.


- Ele! Harte. – Respondeu olhando o estranho acariciar a cabeça de Harte fazendo-o balançar o rabo preguiçosamente.


- Posso sentar aqui? – Perguntou apontando o banco.


- É publico. – Demi sorriu dando de ombros reparando em suas roupas largadas e seus olhos profundamente castanhos.


- É, verdade. – O menino riu sentando ao seu lado. – Demi, certo? – A olhou.
Demi ficou estática por alguns segundos observando o rosto do menino ao seu lado. Ele a conhecia?


- A gente estudava no mesmo colégio. Não sou um maníaco perseguidor nem nada do tipo. – Ele riu divertido vendo a feição da menina se acalmar um pouco. – Freddie. – Estendeu a mão.


- Acho que o meu você já sabe. – Sorriu apertando a mão dele. – Não sou muito boa para reconhecer pessoas. – Se desculpou.


- Você vivia em outro mundo, acho que não conseguiria lembrar nem dos seus professores. – Ele riu. – Você tava sempre quieta e sozinha, a não ser quando estava com o Joe. Parecia que você virava outra pessoa. – Falou sério arrancando um riso baixo da menina.


- Achava que passava despercebida naquele lugar. – Respondeu sem graça.


- Nah, as pessoas comentavam sobre você. – Riu sozinho recebendo um olhar espantado da menina. – Você era um mistério pra todo mundo, menos pro Joe. Eu falava com ele algumas vezes, mas não éramos exatamente amigos. – Deu de ombros.


- Ele falava sobre mim? – Demi perguntou curiosa.


- Nunca. – Freddie sorriu. – E ele não gostava quando alguns curiosos perguntavam. Às vezes parecia até que você era propriedade dele. – O menino soltou uma risada nasalada e Demi sorriu fraco.


Freddie lembrava-se de muita coisa dos tempos de colégio que Demi não conseguia. Não era exatamente sua época favorita, ela apenas se lembrava dos intervalos que passava na sala até que Joe fosse até lá e a puxasse para os enormes jardins lotados de alunos.
Ela nunca poderia imaginar que as pessoas de fato reparavam nela, nenhuma nunca chegara até ela para conversar. Talvez o fato de Joe ser conhecido a tornava conhecida também, ela cansara de receber olhares tortos de algumas garotas e agora se perguntava se não era pelo fato dela estar sempre com Joe e elas estarem com inveja.
Freddie acabou sendo uma ótima distração e fez com que o tempo passasse sem que Demi percebesse, ele era divertido e ela havia gostado da companhia dele.


- Freddie, eu preciso ir. – Falou um pouco sem graça observando o relógio.


- Ah, tudo bem. Eu também preciso encontrar minha irmã no shopping. – Fez careta. – Err... você pode me dar seu telefone? – Perguntou inseguro e um pouco sem graça. – Foi legal reencontrar você e conversar um pouco sobre os tempos de colégio.


- Ah. – Demi sorriu indecisa. Mas o que havia de mal? – Claro. – Falou pegando o iPhone que o menino lhe estendeu e anotando o celular. – Prontinho.


- Brigada. Eu posso te ligar qualquer dia desse? Só pra jogar conversa fora. – Deu de ombros. Demi sorriu confirmando com um aceno de cabeça.


- Até mais. – Freddie se aproximou dando um beijo em sua bochecha, a deixando extremamente sem graça. Nunca fora boa em lidar com garotos ou manter uma conversa com eles, não saberia dizer se alguém estava ou não interessado nela, mas algo lhe dizia que Freddie poderia ter interpretado os sorrisos sem graça dela da forma errada.


- Tchau. – sussurrou se virando e andando o mais rápido que pôde de volta pro loft.

Saiu do banho e vestiu uma calça de moletom e uma camisa com desenhos infantis, o relógio marcava quase nove da noite. Ligou o som baixo e sentou na cama pegando uma revista qualquer que estava no criado mudo, aquilo a ajudaria a passar o tempo.
Aos poucos seus olhos foram ficando pesados e ficava mais difícil a cada minuto mantê-los abertos. Colocou a revista de volta no criado mudo e deixou a luz do abajur acesa, não gostava de escuro, sempre se sentia mais sozinha com todas as luzes apagadas.
Fechou os olhos lentamente, prometendo para si mesma que ia apenas descansar enquanto Joe não chegava. Não queria dormir, de forma alguma! Queria estar bem acordada quando ele chegasse. A luz fraca do abajur a impediria de dormir e logo logo Joe estaria lá.

Alguma coisa em seu subconsciente a fez abrir os olhos rapidamente e ela se assustou ao se ver cega pela escuridão.


- Dem? – A voz de baixa de Joe a assustou e ela se virou conseguindo distinguir os olhos dele. – Te acordei? – Perguntou a puxando pela cintura mais pra perto dele.


- Não. – Ela sorriu o abraçando e deixando que seu rosto ficasse escondido na curva do pescoço dele. – Eu me assustei com a luz desligada.


- Eu acabei de desligar, achei que você tivesse dormido sem querer e deixado ligada. – Falou passando os dedos carinhosamente pelas costas dela.


- Não gosto de dormir com as luzes todas apagadas quando você não tá aqui. – Deu de ombros levantando o rosto para encará-lo. – Não era pra eu ter dormido.


- Claro que era, não precisava ter ficado me esperando. – Joe respondeu tirando o cabelo que caia sobre o rosto dela.


- Aaaai, como eu senti sua falta. – Demi riu antes de colar seus lábios no dele e sentiu suas mãos já debaixo de sua camisa a apertarem contra ele.


Ela deixou que seus dedos se perdessem nos cabelos dele enquanto sentiu todo o corpo se eletrizando e pedindo por cada vez mais contato com o dele. As mãos de Joe em suas costas, subiam e desciam constantemente e ela sorriu separando-se dele por alguns segundos, apenas para tirar sua camisa rapidamente.
Joe soltou uma risada na nasalada.
- Dem, você não quer voltar a dormir?


- HÁ! Até parece... – Falou maliciosa arrancando uma risada alta do menino antes de voltar a beijá-lo e se sentir completa de novo. 



Continua...

17 comentários:

  1. lindoooooo
    perfeito
    maravilhoso !!

    possssssssssssta logoooo

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  2. aaaaaaaaaaaa posta logoo ja não gostei desse fredie
    demi safadeanha

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  3. Demetria safada u.u me gusta :333 kkkkkkk
    posta logo ;)

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  4. Desculpa o atraso de novo a comentar.
    Não tem sido fácil conseguir ler e comentar quase todos os dias.
    Adorei os capitulos!

    Bjs :)

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  5. aaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh o primeiro beijo deles q lindoooooooooooooo POSTA POSTA POSTA POSTAAAA LOGOOOOOOOOOOOOO

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  6. ai esqueci.... tem um selinho pra vc http://lala-eternamentejemi.blogspot.com.br/ tava lendo q esqueci d falar isso kkk

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  7. Awwwwwn, que perfeito *-*
    Posta logo, muuuuuuito ansiosa :3

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